Uma quadrinha popular do começo do século XX mostra que somente o sino e o ovo não bebem cachaça. O sino porque tem a boca para baixo e o ovo porque está cheio. Essa anedota chegou até os dias de hoje graças aos escritos e pesquisas do escritor modernista Mário de Andrade.

Mário gostava de beber, e em sua viagem à Amazônia, em 1927, recolheu os seguintes versinhos, que também diziam muito de sua relação com a bebida: “O meu consolo é viver nesta alegria / Cambaleando, vendo a lua em pleno dia/ O meu consolo é viver sempre na água/ Porém meu peito não conhece o que é mágoa”.

A cachaça e a aguardente foram estudadas por sociólogos, folcloristas e antropólogos e suas histórias foram escritas nas maiores regiões produtoras de açúcar do país, como a Bahia, o Rio de Janeiro ou Pernambuco. Estudar a história da cachaça em São Paulo é, muitas vezes, como encontrar um samba bom na terra da garoa. Mas “mulher, patrão e cachaça em qualquer canto se acha”, cantou o maior sambista paulista, Adoniran Barbosa.

A disseminação da fabricação e do consumo da cachaça no Brasil data dos séculos 17 e 18. Entre 1797 e 1803, a aguardente representava o oitavo produto brasileiro na pauta de exportações para a metrópole. Todas as regiões brasileiras produziam aguardente, mas o Rio de Janeiro, em primeiro lugar, seguido pela Bahia e por Pernambuco, eram os portos que mais exportavam o produto.

Mário de Andrade é quem nos dá uma pista sobre a antiga relação de São Paulo com a cachaça ou aguardente. Em seu fichário analítico, o escritor fez uma anotação sobre uma bebida muito popular no final do século 19 e começo do 20. Era a Paulista, mistura de limão, açúcar e cachaça ou Batida Paulista.

Mário de Andrade lembra de outras misturas com pinga, ligadas à diferentes regiões do país. Ele escreveu sobre a “caninha de manga” mineira, a “imbiriba” nordestina (…) a “meladinha” que também se diz cachimbo (…). E também sobre uma especialidade de São Paulo: a batida paulista: “A batida paulista é realmente a melhor das misturas da cachaça. Quando legítima, isto é, com limão, água e açúcar apenas”

Batida Paulista hoje é caipirinha

Em 1915, na esquina da XV de Novembro com a Rua do Tesouro ficava o Café Andes. Comércio e cachaça andavam juntos – Reprodução

É fácil concluir que essa Batida Paulista dos tempos de Mário, mistura de limão, açúcar e cachaça ficou conhecida nos dias de hoje como Caipirinha. Na verdade, as palavras Caipira e Paulista são sinônimos. Caipira significa, em tupi, cortador de mato, nome dado pelos índios ao homens brancos e caboclos e que acabou por se tornar um sinônimo dos habitantes do interior de São Paulo. O paulista é o Caipira. A bebida paulista é a caipirinha, acrescida de gelo numa benesse dos tempos da geladeira.

Hoje a nossa caipirinha é um dos drinques mais consumidos no planeta e está, inclusive, protegida pelo decreto 6.871 de 2009, onde está registrada sua receita básica, … gradação alcoólica de 15 a 36% em volume, a 20 °C, elaborada com cachaça, limão e açúcar, uma bebida típica do Brasil, facultada a adição de água para a padronização da graduação alcoólica e aditivos.

João Almeida e Leonardo Dias contam em os Os Segredos da Cachaça de 2018 que a caipirinha, de fato, foi criada em São Paulo por volta de 1918, mas para combater o surto de gripe espanhola e nasceu com a composição de suco de limão, mel de abelha e cachaça. Agora o açúcar substitui o mel e ainda é adicionado o gelo para combinar com o clima tropical dominante em nosso território. Abaixo a receita de Derivan para melhor caiprinha do mundo com Mapa da Cachaça.

temos ainda as Caipirinhas “fora da lei” receitadas no livro “Os Segredos da Cachaça” como a:

Caipireta: 1/2 limão-siciliano em cubos, uma colher (de bar) de açúcar Demerara (açúcar mascavo orgânico refinado), 30 ml de licor de amêndoas, 60 ml de cachaça envelhecida em umburana. Coloque o limão e o açúcar em um copo baixo e amasse mais um pouco. Encha o copo com gelo e adicione a cachaça. Mexa bem e sirva.

Caipisexy: 8 morangos, 3 colheres (de bar) de açúcar Demerara (açúcar mascavo orgânico refinado), 4 tirinhas de pimenta dedo-de-moça sem sementes, 50 ml de cachaça envelhecida em Grápia. Coloque o morango, a açúcar e a pimenta em um copo baixo e amasse bem. Encha o copo com gelo e adicione a cachaça. Mexa bem e sirva.

Caipicrim: 1 fatia de manga cortada em cubos, 2 colheres (de bar) de açucar Demerara (açúcar mascavo orgânico refinado), folhas fescas de alecrim, 50 ml de cachaça envelhecida em Amendoim. Coloque a manga, o açúcar e as folhas de alecrim em um copo baixo e amasse bem. Encha o copo com gelo e adicione a cachaça bem e sirva.

Caipijuju: 50 ml de polpa de caju, 15 ml de suco de limão, 30 ml de mel, 50 ml de cachaça envelhecida em Carvalho Americano. Encha o copo com gelo. Coloque a polpa de caju, o suco de limão, o mel e a cachaça e misture bem para dissolver o mel. Complete com mais gelo e sirva.

Caipirina: 1 fatia de manga cortada em cubos, 3 colheres (de bar) de açúcar Demerara (açúcar mascavo orgânico refinado), 50 ml de polpa de tangerina, 50 ml de cachaça envelhecida em bálsamo. Coloque a manga e o açucar em um copo baixo e amasse bem. Junte a polpa de tangerina e amasse mais um pouco. Encha o copo com gelo e adicione a cachaça. Mexa bem e sirva.

Caipifresca: 1 rodela de abacaxi cortada em cubos, 3 colheres (de bar) de açúcar demerara, folhas frescas de hortelã, fatias de gengibre fresco, 50 ml de cachaça envelhecida em amburana. Coloque o abacaxi e o açúcar em um copo baixo e amasse bem. Junte as folhas de hortelã e o gengibre e amasse mais um pouco. Encha o copo com gelo e adicione a cachaça. Mexa bem e sirva.

Caipisanto: 1 limão-silicano cortado em cubos, 3 colheres (de bar) de açúcar mascavo, folhas de capim-santo, 50 ml de cachaça branca. Coloque o limão, o açúcar e o capim-santo em um copo baixo e amasse bem. Encha o copo com gelo e adicione a cachaça. Mexa bem e sirva.

caipirinha fora da lei

Caipirinha e opções de harmonização

O IBA – Internacional Bartenders Association, órgão que determina exatamente como cada um dos drinques clássicos como pina colada, mojito, negroni e whisk sour, deve ser preparado tem a caipirinha na sua lista, mas provavelmente por ter a cachaça um consumo fora do Brasil ainda tímido, é o único drinque dessa lista de clássicos que é preparado com nossa cachaça.

Adão de Faria, Felipe Jorge de Faria, Eduardo Junqueira

Empório Cachaça Canela-de-ema


Empório Cachaça Canela-de-ema

Loja virtual, e-commerce, da empresa Agronegócios Fazenda Lagoa Seca do Brasil LTDA que comercializa, no atacado e varejo, cachaça artesanal, orgânica e produtos afins. Todos os produtos são devidamente escolhidos com base nos melhores resultados dos testes de qualidade conforme critérios do MAPA.

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