A Fazenda Lagoa Seca, sede e endereço físico da empresa Agronegócios Fazenda Lagoa Seca do Brasil LTDA, da e-comerce Empório Cachaça Canela-de-ema e do alambique Cachaça Canela-de-ema, que já produz cachaça desde o ano de 2020, está localizada numa região denominada pelos moradores das redondezas de Serrinha, leito do rio Paranaíba, às margens da BR 452, Km 183, 1 Km à esquerda, Itumbiara GO.

Fazenda Lagoa Seca, município de Itumbiara Goias

Sede da fazenda Lagoa Seca e área do futuro alambique Cachaça Canela-de-Ema atualmente em construção

O nome Fazenda Lagoa Seca, é, na verdade, hoje, o nome oficial de duas fazendas de nossa família; a mais antiga pertencente originariamente ao nossos bisavós paternos, Joaquim Felipe Oliveira de Faria e sua esposa Mariana de Faria, herança de nossos avós paternos Firmiano José de Faria e sua esposa Cândida Vieira Borges, hoje em nome de nosso já falecido tio Antônio Borges de Faria e sua esposa Vanda Maria de Faria.

A outra fazenda, adquirida posteriormente, contígua ao norte com as terras da mais antiga, pertencia ao nosso pai João Borges de Faria e nossa mãe Raimunda Luiza de Faria, filha de nossos avós maternos Ananias Cândido Vieira e Maria Luiza de Faria (vó Quinha), hoje parte de nosso espólio e onde está em instalação o alambique da nossa empresa.

Nossos bisavós paternos tiveram ainda os filhos José Felipe Mariano, Messias Felipe de Faria, Francisca Luiza de Faria e Maria Luiza de Faria (vó Quinha)

Os filhos e herdeiros de João e Raimunda são: Ozória Borges de Faria, Firmiano Borges de Faria, Haidée Vieira de Faria, Maria Vieira de Faria, Hilda Vieira de Faria, Meire de Fátima Faria, Adão Vieira de Faria, Roberto Vieira de Faria, Rubens Vieira de Faria e Denise Borges de Faria.

A origem do nome Lagoa Seca está relacionado a uma lagoa de mesmo nome situada próxima ao rio Paranaíba, distante aproximadamente 20 km destas duas fazendas, no leito do Córrego Grande, formado em parte por dois riachos, o do Geromoa que passa pela fazenda mais antiga, vindo de lugares mais altos e o do Capim, que nasce na fazenda mais nova a partir de seis nascentes dentro desta fazenda. Este nome, Lagoa Seca, é também o nome de outras tantas fazendas nas proximidades dessa referida lagoa.

Nossos bisavós, Joaquim Felipe de Oliveira e Mariana Luiza de Faria, chegaram ao sul de Goiás, na Fazenda Lagoa Seca mais antiga, em 1899, quando Itumbiara ainda era o distrito de Santa Rita do Paranaíba, fundado em 1852, emancipado em 1909. O nome Itumbiara, em tupi guarani “Caminho da Cachoeira”, foi uma sugestão do engenheiro Inácio Pais Leme, um dos mentores da estrada da década de 1820 que ligou Uberaba em Minas Gerais e o interior de Goiás cruzando o rio Paranaíba e que, inclusive, fomentou o surgimento do distrito.

Curiosamente, nossos bisavós paternos não chegaram do sul de Minas Gerais por Itumbiara e nem por essa estrada vinda de Uberaba na última década do século dezenove. O caminho escolhido foi atravessar o rio Paranaíba, provavelmente por balsa, ou fazendo uso de canoas, onde hoje é a cidade de Cachoeira Dourada, distante 25 km, aproximadamente, da fazenda lagoa Seca, que por sua vez dista 9 Km do centro de Itumbiara, fotos abaixo.

Segundo narrava nosso falecido avô paterno, Firmiano, vieram todos em dois carros de bois provenientes de duas cidades próximas, Piumhi e Formiga, no sul de Minas Gerais, distante mais de 1.000 km da Fazenda Lagoa Seca no sul goiano. Nestes dois carros estavam nosso avô Firmiano, então com sete anos, seus pais, irmãos e, provavelmente, outros parentes próximos.

Depois de atravessar o rio Paranaíba e entrar em Goiás, contava nosso avô Firmiano, que a decisão de ir para leste, Itumbiara, um desejo de nosso bisavô Joaquim Felipe e Oeste, Jatai, um desejo de nossa bisavó Maria Luiza, que tinha parentes já instalados neste lugar, foi tomada pelos próprios bois que puxavam os carros, e assim nosso bisavô Joaquim, muito indeciso, deixou o destino da família a cargo dos bois de guia. Afirmava ainda vô Firmiano que os bois de guia do carro dianteiro ao depararem com a bifurcação da estrada penderam para um lado e para outro, mas por algum motivo decidiram não pela caminho reto para as bandas de Jataí, mas pelo caminho em curva à direita rumo a Serrinha em Santa Rita do Paranaíba, hoje Itumbiara.

Observa ainda nosso irmão Rubens que ouviu de nosso tio Antônio Firmiano,  que contrariando o esperado, os bois guias  ao deixarem a balsa, não a que hoje está no município de Cachoeira Dourada, mas uma outra mais abaixo que também ligava e ainda liga Minas a Goiás, não seguiram reto na estrada que levaria até os parentes de Jataí, mas fizeram um curva à direita para o lugarejo ainda hoje denominado de Porto Gouveinha de Goiás, às margens do Rio Paranaíba, próximo a bolsa, no município hoje denominado de Inaciolândia de Goiás, na direção para Serrinha. Esse ocorrido fortaleceu a crença de alguns do grupo de emigrantes que o destino prevaleceu na vinda de nossos ancestrais para região que ainda hoje estamos.

Em pesquisas mais recentes entre os membros de nossa família sobre a data oficial da chegada de nossos antepassados na região da Serrinha, foi possível confirmar, com base em alguns documentos arquivados por nossa irmã Meire de Fátima, o ano exato da chegada na região de Itumbiara de nosso avô e bisavô e familiares retirantes de Piumhi. Se nosso avô nasceu no ano de 1893 no dia 22 de Setembro, título Eleitor Vô Firmiano, registro de casamento dos avós Ananias e Firmiano, Caderno de apontamentos do Vô Firmiano,  e segundo ele próprio chegou na Serrinha com seis anos, conclui se que o ano de 1899 é de fato o ano da chegada na Fazenda Lagoa Seca. 

Firmiano, nosso irmão em conversas recentes sobre o local exato da travessia do rio Paranaíba por nossos heróis, ele assegura que na verdade a travessia foi feita de fato na região de cachoeira dourada, mas muito antes da existência de qualquer balsa, pois as duas existentes ainda hoje entre o canal de São Simão e região de Cachoeira Dourada só apareceram depois da década de 50 e nossos avós por alí atravessaram na virada do século dezenove para o século  vinte, daí se conclui que a travessia foi feita de maneira muito precária e dificultosa com uso de canoas, um processo muito usado ainda no tempo dos bandeirantes de outrora.

Piumhi, provavelmente onde nasceu nosso bisavô Joaquim, está situada às margens do rio Pihumhi ou Piauí (rio de peixe em tupi) que lhe deu o nome, é uma cidade que nasceu da mineração do ouro em meados do século dezoito quando as minas da região de Ouro Preto estavam em declínio.

Exaurida estas minas do alto do rio São Francisco, Pitangui e Piumhi, a principal alternativa eram as minas de Goiás e assim, em 1737, é dado inicio a criação da chamada picada de Goiás ou caminho de Goiás, mais uma das estradas reais que ligavam minas e permitiam explorar e escoar o ouro dos sertões. Abaixo mapa da picada de Goiás.

Picada de Goiás, estrada real do século dezoito de minas para goiás para escoar minérios

A Picada de Goiás – Estrada oficial autorizada em 08 de Maio de 1736 pelo Conde de Bobadela.

Com a existência dessa estrada para Goiás, desde o século dezoito, e sendo este um dos principais caminhos para o interior do país, para Goiás e Mato Grosso, até o fim do século dezenove, provavelmente foi este caminho e derivações deste que trouxeram até a Fazenda Lagoa Seca nossos antepassados em busca não mais de ouro e diamante, como os fundadores dessa estrada, mas sim, de terras para plantio e criação de gado.

O real motivo pelo qual vieram para terras tão distantes ainda não conseguimos desvendar. Muito provavelmente vieram, de fato, para Goiás , como já afirmamos, em busca de terras para produção agrícola, pois no final do século dezenove, quando aqui chegaram, o ouro já era escasso na região de Piumhi, bem como o diamante do médio e alto Paranaíba.

A profissão de exímio carpinteiro de nosso avô Firmiano, que tinha domínio pleno da escrita e da engenharia de moendas, engrenagens e similares, provavelmente herdada do bisavô Joaquim, indica um outro motivo para essa empreitada de vir para o sul de Goiás, que seria buscar novos clientes, madeiras e diminuir a concorrência para os serviços de carpintaria que muito dominavam, até por que a agricultura naquela época era completamente manual e muita terra era só problema, muita mão de obra e falta de consumidores e sem como escoar a produção por falta de estradas.

Conta nosso irmão Firmiano que ouviu de nosso avô Firmiano, paralelo ao trabalho de carpintaria, nos primeiros anos da chegada em Itumbiara, plantaram café, muito provavelmente com sementes trazidas de Piumhi, onde o café já era, no fim do século dezenove, uma agricultura de sucesso. Esse café era vendido por um bom preço na cidade de Itumbiara para negociantes da tradicional família Barra, complementa nosso irmão.

A plantação de cana-de-açúcar, que hoje domina a agricultura do sul goiano, é um acontecimento recente que acompanhou a chegada das grandes usinas de bioetanol e açúcar na região, a maioria delas vindas de São Paulo em busca de redução de custo. As duas Fazendas, hoje estão arrendadas, a de nossos pais, onde está sendo instalado o alambique Cachaça Canela-de-ema, está em parte contratada pela BP Bunge Bioenergia em uma parceria agrícola com nosso espólio para o cultivo de cana-de-açúcar.

A outra parte de nosso fazenda, onde está em construção o alambique, está arrendada pelo espólio para nossa empresa, Agronegócios Fazenda Lagoa Seco do Brasil, para, em uma primeira fase, construir o alambique Cachaça Canela-de-ema, fazer o plantio de um canavial orgânico para alimentar o alambique e numa segunda fase integrar toda propriedade na produção de cachaça orgânica, sem perder de vista a principal missão da empresa, recuperar o patrimônio e torná-lo sustentável, fazendo uso da agricultura orgânica já em andamento.

Lavoura orgânica de cana-de-açúcar da empresa Cachaça-canela-de-Ema

Lavoura orgânica de cana-de-açúcar, variedades CTC4 e RB966928, Empresa Cachaça Canela-de-Ema, Fazenda lagoa Seca, Itumbiara Goiás

Mesmo antes da chegada das grandes açucareiras na região, o plantio de cana-de-açúcar já era feito em menor escala para alimentação do gado em períodos de seca e para produção da preciosa rapadura, a açúcar mascavo e o melaço, muito consumidos por aquelas bandas e alguns, inclusive nosso tio Antônio, herdeiro da Fazenda Lagoa seca, residência de nossos bisavós, se aventurou, por um período, na produção, em pequena escala, da cachaça de alambique.

Nosso pai, conhecido por todos como João do Firmiano e nossa mãe Raimunda Luiza de Faria, depois de realizarem o sonho de vir para cidade e graduar todos os seus dez filhos, arrendaram parte da Fazenda onde nascemos e moramos por um bom tempo, deram início a um pequeno estabelecimento comercial em Itumbiara, anexo à nossa residencia, onde parte dessa produção doméstica de cachaça do tio Antônio era comercializada, bem como de outros pequenos fornecedores da região.

Um dia, quando nosso pai já se preparava para retomar, com apoio de todos, algumas atividades na sua Fazenda, pois alegava que nas atividades da fazenda viveria com maior liberdade, então o presenteamos com um litro de cachaça Havana, ele bebia moderadamente, mas era conhecedor, pois comprava e vendia cachaça de várias fontes, ficou maravilhado com o que acabara de experimentar, uma dose da renomada Havana e, desde então, o sonho de termos um alambique perdura na família.

Nosso sonho de ter então um alambique virou projeto dos herdeiros e assim nasce, em agosto de 2018, a Agronegócios Fazenda lagoa Seca do Brasil, responsável pela e-commerce Empório Cachaça Canela-de-ema já em funcionamento e pela alambique Cachaça canela-de-ema que já produz Cachaça desde 2020. Este ano, a partir de setembro e já com todos os fundamentos legais resolvidos, registro no mapa e certificado de produção orgânica, já para a segunda safra, estamos neste momento em processo de engarrafento e rotulagem. Mas entre nós, de nossos pais, só restou o sonho que alimenta essa nossa empreitada, pois os dois já não estão entre nós. Abaixo o alambique em construção e em produção.

Vista geral do alambique Cachaça Canela-de-ema de 2020

Alambique no início da operação safra 2020

Autores: Adão V. de Faria, Firmiano B. de Faria, Ozória B. de Faria, Rubens Vieira de Faria, Meire de Fátima Faria e Felipe G. J. de Faria e Eduardo Faria J.

Produção: Empório Cachaça Canela-de-ema


Empório Cachaça Canela-de-ema

Loja virtual, e-commerce, da empresa Agronegócios Fazenda Lagoa Seca do Brasil LTDA que comercializa, no atacado e varejo, cachaça artesanal, orgânica e produtos afins. Todos os produtos são devidamente escolhidos com base nos melhores resultados dos testes de qualidade conforme critérios do MAPA.

9 comentários

Hilda Vieira Faria de Oliveira · 07/03/2020 às 21:32

Emoção do início ao fim da leitura… estou extasiada com as informações contidas no texto.

Empório Cachaça Canela-de-ema · 22/02/2021 às 20:19

História bacana!

rlagebh · 07/07/2021 às 23:09

Opa, apreciarei irmão, estamos juntos!

    Antonio Bento Furtado de Mendonça Neto · 24/11/2021 às 22:08

    Que história bonita desta família de pioneiros. Gente como vocês é que de fato construíram este país desbravando o sertão e alargando as fronteiras do Brasil.
    Parabéns!!!!!🇧🇷

Meire de Fatima faria · 21/10/2021 às 23:52

Que bacana

Antonio Bento Furtado de Mendonça Neto · 24/11/2021 às 22:06

Que história bonita desta família de pioneiros. Gente como vocês é que de fato construíram este país desbravando o sertão e alargando as fronteiras do Brasil.
Parabéns!!!!!🇧🇷

Olá!

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