A denominação “Bebida Espirituosa” não é tão presente nas publicações aqui no Brasil, mas é muito comum na Europa e até nos EUA e Canadá, spirit drink, boisson spiritueuse, bavanda spiritosa, Spirituosengetränk.
Nosso propósito aqui é conhecer um pouco mais sobre a origem do termo e sua importância nos dias de hoje para os apreciadores e produtores deste grupo de bebidas no qual estão inserido os destilados, cachaça, Whisky, Gim, Vodca, Rum e outros.

bebida espirituosa

Copos de cachaça – uma bebida espirituosa brasileiríssima

A palavra espírito tem sua raiz etimológica do Latimspiritus“. Em latim, o vocábulo “espirito” significa “respiração” ou “sopro”, mas também pode estar se referindo a “coragem”, “vigor” e finalmente, fazer referência a sua raiz no idioma proto indo europeu (PIE) “soprar”.

Não é difícil perceber que a apropriação deste termo spiritus pelos antigos para denominar as bebidas provenientes do processo de destilação como espirituosas deve se ao fato que são provenientes da liquefação do vapor gerado no processo de destilação e a ideia de vaporização tem sido associada historicamente com a noção de espírito.

As primeiras bebidas alcoólicas foram as fermentadas, que está de acordo com muitas literaturas, como o vinho a cerveja e similares, já conhecidas desde o neolítico. As espirituosas vieram depois, fruto da destilação das fermentadas por algum curioso ou algum alquimista a procura do elixir da longa vida. Há relatos que os gregos, antes de cristo, já conheciam a ácqua ardens ou água que pega fogo.

Os alquimistas, na concepção primitiva que tinham da matéria, definiam o espírito como “a parte mais sutil, mais ativa e penetrante, encarregada de promover as funções dos corpos”. Destilando o vinho, obtinham um líquido inflamável, a que chamavam espírito do vinho, nome que até hoje serve para designar o álcool etílico, obtido pela destilação do vinho ou de outras substâncias fermentáveis. Por outro lado, o álcool metílico, venenoso, impróprio para beber, é obtido pela destilação seca da madeira, sendo conhecido, por isso mesmo, como espírito da madeira.


evidências históricas de que o primeiro destilado como um tipo de bebida tenha sido originário do vinho na idade média no século XIII. O médico, alquimista e visionário Arnaldo de Vilanova e seus discípulos e muito provavelmente, porque há controversias, um deles tenha sido o filósofo e religioso Raimundo de Lúlio a quem é atribuído um tratado sobre o álcool e divulgar receitas de licores curativos. Ao álcool açucarado, eram misturados limão, rosa e flor de laranjeira. Há indícios da adição de pepitas de ouro às misturas, consideradas panaceias (remédios para todos os males).
A revista Super Interessante faz um levantamento histórico profundo sobre bebidas alcoólicas mostrando o seu papel fundamental em todas as civilizações até os dias de hoje. A revista afirma que estas bebidas ajudaram a humanidade a superar epidemias, desbravar o planeta, construir impérios, vencer guerras, organizar sociedades democráticas e inventar tecnologias essenciais para o dia a dia de todo mundo. As pirâmides do Egito, as Grandes Navegações, os EUA, o feminismo, o leite em caixinha… sem bebida, essas coisas não existiriam, ou seriam muito diferentes.

O interessante que estas revistas renomadas nem precisam de referências para mostrarem que tudo começou com os primatas 40 mil anos atrás quando estes comiam frutas estragadas fermentas com aproximadamente 5% de álcool e ficavam grogues. Há 8 mil anos antes de Cristo os chineses fizeram a primeira bebida homo sapiens que se tem notícia, feita de arroz, mel e uvas, depois vieram os sumérios da mesopotâmia com uma quase cerveja feita de trigo e cevada.

Os egípcios por volta de 2.500 usavam a cerveja na alimentação cotidiana em larga escala, em seguida os gregos desenvolvem um fermentado de uva que é o vinho, Roma aprova essa ideia e introduz o vinho como estratégia de guerra ao embebedar o inimigo antes de cada massacre, vira remédio na idade media ao curar ou evitar a peste negra em quem tomasse só vinho e não água.

Os povos islâmicos, ainda antes da renascença, criaram o alambique e assim começou a produção em escala de bebidas espirituosas ou ácqua ardens, que tanto podem ter sido provenientes dos cereais como o whisky dos ingleses, a vodca do poloneses e russos e o Gim dos Holandeses, como podem ter vindo da uva como a bagaceira portuguesa e o conhaque dos franceses ou, até mesmo, de plantas como o agave mexicano do qual os astecas produziam o pulque e os mexicanos de hoje a famosa tequila.

Em meados do século XVI o Brasil começa a se despontar na produção mundial de açúcar feita da cana-de-açúcar, um vegetal proveniente da asia e que muito bem se adaptou em nosso clima. Existe uma infinidade de versões para o surgimento de nosso destilado, a cachaça, mas o que não pode ser negado é que os portugueses já tinham aprendido quando aqui chegaram a destilar com seus dominadores mouros e até já comercializavam um destilado do vinho denominado de bagaceira. Perceberam nossos colonizadores que a garapa fermentada produzia um tipo de vinho, sem as qualidades do vinho de uva, mas que se destilado produzia um aguardente cheiroso e saboroso e assim nascia nossa cachaça ou melhor nossa proto cachaça.

A produção das bebidas espirituosas resume então na destilação controlada de uma mistura fermentada de cereais, do próprio vinho da uva, do vinho da cana-de-açúcar e outros tantos produtos, mas sempre fermentados, pois este processo é o responsável pela produção do álcool etílico, elemento primordial das bebidas alcoólicas, seja ela fermentada ou espirituosa.

Por fim, chamamos então de bebidas espirituosas todas aquelas que contêm álcool destilado, como a cachaça, a aguardente, o conhaque, o rum, o uísque, o gin, a tequila, os licores em geral. E fica então um lembrete, o nome não vem de espíritos que habitem a garrafa, como os gênios costumam fazer, nas histórias das Mil e Uma Noites, nem da capacidade, assaz duvidosa, que essas bebidas teriam de aguçar o espírito do bebedor. Combinado!

Texto: Adão Vieira de Faria

Revisão: Felipe G. Jorge de Faria

Produção: Empório Cachaça Canela-de-ema


Adao Faria

Sócio fundador e administrador juntamente com Eduardo F. Junqueira da Agronegócios Fazenda Lagoa Seca do Brasil LTDA de Itumbiara Goiás. Empresa fundadora e proprietária da loja Online Empório Cachaça canela-de-ema. E-commerce especializado em vendas a varejo e atacado de cachaça artesanal, orgânica e afins. Todos os produtos são devidamente escolhidos com base nos melhores resultados dos testes de qualidade conforme critérios do MAPA.

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