Pré-história – Possivelmente no neolítico, 7000 a.C. a 2500 a.C, foi criada a bebida fermentada e destilada, quando da aparição da agricultura e a invenção da cerâmica.

6.000 aCA cana-de-açúcar, espécie S. OFFCIANARUM, foi domesticada pela primeira vez como cultura na Nova Guiné e em seguida na Índia a espécie SACCHANARUM BARBERI. Os primeiros indícios de produção de açúcar vem de antigos textos em sânscrito e pali.

3.100 aC a 30 aC – Os primeiros relatos sobre a fermentação vêm dos egípcios antigos. Curam várias moléstias, inalando vapor de líquidos aromatizados e fermentados, absorvidos diretamente do bico de uma chaleira, num ambiente fechado. Os gregos registram o processo de obtenção da ácqua ardens. A Água que pega fogo – água ardente (Al Kuhu). A água ardente vai para as mãos dos alquimistas que atribuem a ela propriedades místico-medicinais. Se transforma em água da vida. A Eau de Vie é receitada como elixir da longevidade. A aguardente então vai da Europa para o Oriente Médio pela força da expansão do Império Romano. São os árabes que descobrem os equipamentos para a destilação, semelhantes aos que conhecemos hoje.

Século VIII – Os árabes introduziram o açúcar do Sul da Ásia em outras partes do Califado Abássida, no Mediterrâneo, Mesopotâmia, Egito, África do Norte e Andaluzia.

Século X – O cultivo da cana-de-açúcar é largamente difundido na Mesopotâmia.

Século XV – Com três naus e catorze caravelas, Cristóvão Colombo faz sua segunda viagem a américa levando, dos campos das ilhas canarias, a cana-de-açúcar, inicialmente para a ilha de Hispaniola, hoje Haiti e República Dominicana, a primeira povoação europeia no continente americano.

Século XVIOs portugueses, de seus campos na Ilha da Madeira, levam a cana-de-açucar para América portuguesa.

1504 – Primeira plantação de cana-de-açúcar no Brasil por Fernão de Noronha na ilha do mesmo nome.

1516 – Inaugurado o primeiro engenho de açúcar na benfeitoria de Itamaracá, criada pelo rei Dom Manuel I de Portugal no litoral do atual estado de Pernambuco e confiada ao administrador colonial Pero Capico, primeiro “Governador das Partes do Brasil”.

1530 – Nesta década, os primeiros donatários portugueses iniciaram empreendimento nas terras da América Portuguesa, especialmente nas capitanias de Pernambuco e São Vicente, implementando engenhos de açúcar. A Primeira destilação de cachaça, ocorreu em algum engenho do litoral do nordeste entre 1516 e 1532, sendo, portanto, o primeiro destilado da América Latina, feito a partir dos subproduto do açúcar, melaço e espumas. Logo em seguida aparece o Rum nas possessões inglesas nas Américas, a Aguardiente de Caña nas espanholas, e da Tafia nas francesas, todos fabricados dos mesmos subprodutos da cana-de-açúcar.

1540 – O caldo era apenas consumido pelos escravos, para que ficassem mais dóceis ou para curá-los da depressão causada pela saudade de sua terra (banzo). Como a carne de porco era dura, usava-se a aguardente para amolecê-la. Daí o nome “Cachaça”, já que os porcos criados soltos eram chamados de “cachaços”. O apelido “Pinga” veio porque o líquido “pingava” do alambique.

1550 – A aguardente passou a ser produzida em alambique de barro, depois de cobre.

1635 – Portugal proibiu a fabricação da Cachaça e seu consumo na colônia brasileira, contrariado com a desvalorização de sua bebida típica, a Bagaceira, produzida do bagaço da uva,

1640 – Boicote dos colonos ao vinho português em retaliação a proibição pela coroa da fabricação e consumo da cachaça nacional.

1650 – Portugal recuou quanto à decisão de proibir o consumo da Cachaça nacional e decide apenas taxar o destilado da colônia.

1660Revolta da Cachaça, também chamada de Revolta do Barbalho ou Bernarda, é um episódio pelo qual passou a História do Brasil. Ocorrido no Rio de Janeiro, entre o final de 1660 e o começo de 1661, foi motivado pelo aumento de impostos excessivamente cobrados aos fabricantes de aguardente.

Revolta da cachaça ou revolta do Barbalho ou Bernarda,

Revolta da Cachaça 1660 a 1661

1661 – Liberação oficial, no dia 13 de setembro deste ano, pela coroa, a produção e venda de cachaça no Brasil.

1756 – A aguardente da cana-de-açúcar era um dos gêneros que mais contribuía para a reconstrução de Lisboa, abalada por terremoto em 1755.

1789 – A Cachaça virou símbolo da resistência ao domínio português. O último pedido de Tiradentes: “Molhem a minha goela com Cachaça da terra”.

1810 – Com as técnicas de produção aprimoradas, a Cachaça passou a ser muito apreciada. Era consumida em banquetes palacianos e misturada a outros ingredientes, como gengibre, o famoso Quentão.

1850 – A cachaça perde seu glamour nacionalista da inconfidência com a economia cafeeira, abolição da escravatura e início da República, porque um largo preconceito se criou frente a tudo que fosse brasileiro, prevalecendo à moda da Europa.

Alambique do início do século XX

Primeiro Alambique da Cachaça Pitú – 1938 –Fonte os Segredos da Cachaça.

1922 – A Semana da Arte Moderna resgatou a nacionalidade brasileira com o movimento antropofágico, mas a Cachaça não teve o destaque merecido neste movimento, pois ainda carregava muito preconceito, mas continuava a apurar sua qualidade.

1938 – O Decreto-Lei 739 de 24 de setembro de 1938 impõe a obrigatoriedade da utilização de recipientes de vidro. A produção só era permitida a produtores devidamente registrados e deveria ser acondicionada em recipientes de, no máximo, um litro e ter afixado rótulo com informações sobre o produtor e a bebida.

Duas garrafas de cachaça antiga

exemplo de cachaça antiga

1950 – A Cachaça ganha espaço e influência na vida artística nacional, com a “cultura de botequim” e a boemia. Passou a ser servida como bebida brasileira oficial nas embaixadas, eventos comerciais e voos internacionais. A França tentou registrar a marca Cachaça, assim como o Japão tentou a marca Assai.

1967 – O tropicalismo movimento artístico cultural dos anos 60, também de caráter antropofágico, embora com forte influência da estética pop e neoconcreta, também fez pouco para tirar a cachaça da marginalidade. Uma exceção se faz ao tropicalista Tom Zé, que relatou em seu livro “Tropicalista Lenta Luta”, mesmo que em tom jocoso, “É uma verdadeira utopia ter nascido no tempo de Caetano e Gil. Mas no livro de Caetano eu sou um organizador de festa, tomador de cachaça e não sei falar português”

2000 – A Cachaça está consagrada como brasileiríssima, é apreciada em diversos cantos do mundo e representa nossa cultura, como a feijoada e o futebol. Em alguns países da Europa, principalmente a Alemanha, a Caipirinha de Cachaça é muito mais consumida que o tradicional Scott. A produção brasileira de Cachaça já ultrapassa os 1,3 bilhões de litros e apenas 0,40% são exportados. A industrialização da Cachaça emprega atualmente no Brasil mais de 450 mil pessoas.

2009 – A cachaça no artigo 53 do decreto nº 6.871 de 2009 e Instrução Normativa 13 de 29 de junho de 2005, ganha uma definição oficial e o status de símbolo nacional: “Cachaça é a denominação típica e exclusiva da aguardente de cana produzida no Brasil, com graduação alcoólica de trinta e oito a quarenta e oito por cento em volume, a vinte graus Celsius (°C), obtida pela destilação do mosto fermentado de cana-de-açúcar com características sensoriais peculiares, podendo ser adicionada de açúcares até seis gramas por litro, expressos em sacarose.”

2009 – No 12º Expocachaça, o Instituto Brasileiro da Cachaça (IBRAC) oficializou o dia 13 de setembro como o Dia Nacional da Cachaça. O dia 13 de setembro foi escolhido em homenagem a data em que a cachaça passou a ser oficialmente liberada para a fabricação e venda no Brasil, em 13 de setembro de 1661. Esta legalização, no entanto, só foi possível após uma revolta popular contra as imposições da Coroa portuguesa, conhecida como “Revolta da Cachaça”, ocorrida no Rio de Janeiro.

2012 – A Cachaça é oficializada como patrimônio histórico cultural do estado do Rio de Janeiro, lei estadual 6.291/12.

Adão de Faria, Felipe de Faria e Eduardo Faria

Referência geral

https://www.portalsaofrancisco.com.br/historia-geral/historia-da-cachaca
https://www.calendarr.com/brasil/dia-nacional-da-cachaca/


Empório Cachaça Canela-de-ema

Loja virtual, e-commerce, da empresa Agronegócios Fazenda Lagoa Seca do Brasil LTDA que comercializa, no atacado e varejo, cachaça de qualidade produzida artesanalmente em alambique, além de produtos afins.

1 comentário

Caipirinha Cachaça+Limão+Açúcar+Prosa | Blog Cachaça Canela-de-ema · 12/03/2020 às 00:55

[…] disseminação da fabricação e do consumo da cachaça no Brasil data dos séculos 17 e 18. Entre 1797 e 1803, a aguardente representava o oitavo produto brasileiro na pauta de exportações para a metrópole. […]

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