Comprar Cachaça na Garrafa

Vamos partir do principio que não existe cachaça ruim, o que na verdade acontece sempre é uma compra inadequada. Uma das vantagens da cachaça é sua infinidade de sabores, aromas e cores, supera qualquer destilado, até mesmo os renomados como o Whisky a Vodka e a Tequila, e isso a torna muito versátil quanto a seu consumo.

Pode ser degustada numa infinidade de situações, que vai das mais simples, como tomar um gole ao chegar em casa do trabalho, até em um encontro com amigos numa casa sofisticada de drinques. Essa peculiar versatilidade de nosso brasileiríssimo destilado é que faz dele uma bebida contemporânea e eclética, inclusive, com dois métodos distintos de produção.

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O mercado oferece cachaça e o aguardente pelo processo industrial, as vezes chamado de coluna, e o artesanal, as vezes chamado de alambique. Para prosseguirmos, vamos tecer um breve comentário quanto às diferenças básicas entre estes dois métodos e das suas respectivas cachaças ou aguardentes.

Os dois processos de destilação do vinho, no caso vinho é o produto da fermentação controlada do caldo de cana, mais utilizados para a produção de cachaça são, a destilação em alambique de cobre ou mesmo aço inoxidável ou destilação em batelada e a destilação em coluna de aço inoxidável ou destilação continua. Ver detalhes nas figuras abaixo dos dois processos.

Na destilação em alambique, o destilado é dividido em três partes levando em conta a graduação alcoólica: cabeça (28% v/v), coração (57% v/v) e cauda (27% v/v). O resíduo da destilação, conhecido como vinhaça, pobre em etanol e rico em água, pode ser reutilizado como repositor de minerais e água na lavoura de cana de açúcar.

Na destilação realizada em coluna de aço inoxidável não ocorre a separação do destilado em frações como acontece no alambique, pelo fato de que este sistema é contínuo, ou seja, a alimentação da coluna com vinho, mosto fermentado de caldo de cana-de-açúcar, e a saída do destilado acontecem simultaneamente e durante todo o processo.

Não custa lembrar que o álcool etílico (C2H6O) é o elemento principal dos destilados, seja ele feito em coluna ou em alambique, entretanto, Roni Vicente Reche e Douglas Wagner Franco da USP no seus artigo “Distinção entre cachaças destiladas em alambiques e em colunas usando quimiometria” mostram que para coluna, o contaminante carbamato de etila e a impureza benzaldeído são os compostos que prevalecem, enquanto que para alambique as impureza formaldeído, o Hidroximetilfurfural (5hmf), o ácido acético e o propionaldeído ou propanol são os que prevalecem.

Nem precisamos lembrar que são substâncias que ocorrem de fato em qualquer cachaça, em menor ou maior percentagem, e sendo a cachaça classificada pelo MAPA, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como alimento, este estabelece limites para as substancias que oferecem risco à saúde ou que podem alterar as características organolépticas do produto, no caso a cachaça e o aguardente.

Deste bem elaborado artigo de comparação da cachaça produzida nestes dois processos de destilação, fica aqui a primeira dica para se adquirir uma cachaça em garrafa confiável, que é nunca comprar, e muito menos tomar, uma cachaça que não seja produzida legalmente em unidades de destilação devidamente homologadas pelo MAPA, pois só assim você não corre o risco de comprar gato pro lebre, e conferir número MAPA no rótulo .

Claro que tem alambiques clandestinos com boa cachaça, mas o problema é que nem sempre a qualidade exigida mantém estável devido controles quase sempre inadequados, o problema é que pelo rótulo, mesmo o legal, não há como saber de qual destes dois processos provém a cachaça, pois a lei proíbe esta informação, assim como proíbe a indicação de origem, a menos que esta indicação esteja devidamente homologada pelo INPI. Portanto, se o rótulo descrever por exemplo, “cachaça de minas”, ou “cachaça de alambique”, desconfie, porque você está diante de um rótulo ilegal, e mesmo que o liquido tenha sido feito dentro dos padrões exigidos pelo MAPA, o seu rótulo está ilegal.

Uma segunda dica importante e fácil de perceber, em especial se a garrafa for transparente, é a limpidez da cachaça, nas translúcidas já complica um pouco essa inspeção. Você deve segurar a garrafa pelo pescoço, balançar a garrafa e colocar a mesma com o fundo para cima e observar se apresenta partículas em suspensão no líquido. Qualquer impureza, não compre a cachaça ou aguardente, por mais que o vendedor tente levar uma explicação para o fenômeno que hora se apresenta. Estas partículas são testemunhas de que houve algum descontrole no sistema de produção como filtragem incorreta, por exemplo.

Uma terceira dica é analisar o rótulo para verificar se o mesmo está em conformidade com a legislação vigente, decreto 6.871 de 4 de junho de 2009, que exige 14 informações a serem descritas no rótulo e/ou contra rotulo. Confira pelo menos três destas exigências que são: 1) o endereço do estabelecimento de industrialização ou de importação; 2) o nome do produtor ou fabricante, do estandardizador ou padronizador, do envasador ou engarrafador do importador; 3) o número do registro do produto no Ministério da Agricultura e do Abastecimento ou o número do registro do estabelecimento importador, quando bebida importada, isso ajuda saber se de fato a bebida está conforme o MAPA.

Quarta dica é para quem vai comprar garrafa de cachaça ou aguardente para coleção ou reservar, porque devemos lembar que cachaça tem prazo de validade indeterminado, ou seja, depende de como você a estoca, logo, deve ser guardada com cuidados. Uma atenção especial deve ser dada à tampa, que deve ser sintética, jamais de metal, mas se de fato a cachaça lhe interessa e não tem uma versão com tampa sintética, faça a compra, mas substitua imediatante a tampa de metal de preferência por uma rolha sintética.

Quinta e última dica é quanto ao lacre da tampa, embora exista diversos tipos, jamais compre qualquer que seja a cachaça ou aguardente com tampa sem lacre, pois a mesma pode estar adulterada e ai sua saúde pode pagar o pato e ir além de uma simples dor de cabeça.

Comprar cachaça a Granel

A Cachaça de Alambique só pode ser armazenada em recipiente de madeira ou aço inoxidável, independentemente da capacidade. As questões de higiene estão definidas pelo MAPA para produção, transporte e envase na Instrução Normativa de número 5 de 31 de março de 2000 e estão baseadas em manter a integridade da cachaça desde sua produção até o consumidor final. A primeira dica aqui seria dar prioridade à cachaça envasada pelo próprio fabricante, mas caso tenha sido envasada por um intermediário, devidamente credenciado pelo MAPA, a integridade está assegurada.

Se você tem o habito de comprar a granel para envelhecer ou mesmo apenas ter uma reserva maior em casa de cachaça ou aguardente, vai ai uma segunda dica, usar como manda a legislação, madeira adequada ou recipiente com o mesmo aço inox dos toneis que é o AISI 304, aquele que o imã não pega, e seguir as regras de higiene do MAPA, porque senão a economia ou seu artesanato de envelhecimento servirá só para piorar sua marvada e não para aprimorá-la.

A terceira dica, desconfie de uma cachaça muito barata, principalmente se for de alambique. Se for adquirir uma cachaça envelhecida a quarta dica é verificar se a mesma está com muita presença de madeira, em especial se for de alambique, você provavelmente estará tomando cachaça com madeira e não cachaça envelhecida.

Uma bebida que não foi envelhecida pelas regras da legislação e sim artificialmente com uso de “chips” ou lascas de madeira, radiação gama, ou em caso extremo, até serragem ou extratos de madeira poderá ser prejudicial a sua saúde. Embora haja estudos em andamento sobre envelhecimento acelerado da cachaça, estes ainda não foram homologados pelo MAPA.

Quinta e última dica para a comprar a granel é sempre solicitar, antes de fechar seu negócio, os resultados dos testes de qualidade conforme exige o MAPA, pois comparando os resultados obtidos pelo fabricante e a tabela de valores e limites estabelecidos pelo MAPA você poderá, inclusive, definir melhor sua escolha para compra.

Por exemplo, se você deseja uma cachaça para envelhecer, escolha um lote que tenha maior teor alcoólico, acima de 42ºGL (limites 38 a 48ºGL), pois haverá perda de teor alcoólico quanto maior for o tempo do processo de envelhecimento, e escolha também uma acidez volátil próxima de 100 ml de ácido acético/100 ml de álcool anidro (limites máx 150 ml/100ml álcool anidro), pois assim você obterá um melhor resultado no envelhecimento quanto a aromas e sabores.

Vale lembar que para compra, seja a granel ou em garrafa, mas não para envelhecer, o mais indicado é que sua cachaça tenha uma acidez volátil mais baixa, ou seja, máximo de 50 ml de ácido acético/100 ml de álcool anidro, mas infelizmente não vem estampado no rótulo das garafas, entretanto, o fabricante tem o valor aproximado desta substância, até porque o MAPA exige acompanhamento da quantidade desta substância, na verdade é o famoso vinagre, que não pode ultrapassar 150ml/100ml de álcool anidro, senão, ao tomar sua branquinha, vão achar que você está bebendo, não para apreciar nosso néctar dos deuses, mas para esquecer uma paixão ou algo parecido, porque será um rio de lágrimas a cada gole.

Saúde!

Um gole, um sorriso, uma flor, a todos

Edição: Felipe G. J de Faria Direto Comercial do Empório Cachaça canela-de-ema


Adao Faria

Sócio fundador e administrador juntamente com Eduardo F. Junqueira da Agronegócios Fazenda Lagoa Seca do Brasil LTDA de Itumbiara Goiás. Empresa fundadora e proprietária da loja Online Empório Cachaça canela-de-ema. E-commerce especializado em vendas a varejo e atacado de cachaça artesanal, orgânica e afins. Todos os produtos são devidamente escolhidos com base nos melhores resultados dos testes de qualidade conforme critérios do MAPA.

2 comentários

Hilda Vieira Faria de Oliveira · 07/06/2020 às 10:28

Vamos ao brinde… saúde

Olá!

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