Mesmo antes de começar mostrar os passos para você obter sua cachaça orgânica de maneira legal, seja para o Brasil ou para EUA, Alemanha, Japão, CE, etc, devo lembrar que o mercado está cheio de cachaças e mesmo outras bebidas ou produtos, declarados como orgânicos em seus rótulos, ou embalagens, e na verdade não o são de fato e muito menos de direito, pois neste caso ser de direiro é ser de fato e vice e versa.

A descrição equivocada “produto orgânico” no rótulo, ou outra semelhante, não passam de uma declaração de boa vontade do produtor em oferecer um produto mais qualificado, como tem o mercado exigido cada vez mais, ou, mas prefiro não acreditar, uma esperteza do fabricante para se posicionar melhor no mercado e ter maior valor agregado, e tem ainda aqueles que por desconhecimento embarcam no que viram rotulado nos falsos orgânicos e fazem o mesmo, simplesmente porque, por exemplo, adotaram o  corte manual da cana e/ou usaram adubo orgânico, mas a encharcaram de agrotóxicos.

O triste é saber que enquanto tiver alguém comprando, terá quase sempre, alguém fazendo esse tipo de enganação. Vamos ser otimistas e acreditar que de fato as coisas melhoram e que o governo irá, cada vez mais, cuidar melhor disso, bem como a informação será cada vez mais ampla e em breve todos teremos produtos provenientes cada vez mais de uma agricultura sustentável, como quer e exige o decreto federal de 27 de Dezembro de 2007 para produtos orgânicos e com isso teremos todos um planeta cada vez menos degradado.

Os passos aqui considerados levarão em conta esta referida lei do orgânico para obtenção do selo legal do governo federal, que fará parte do rótulo de seu produto, sem ser necessário declarar “produto orgânico”, como fazem os desavisados, ou espertos, já mencionados acima.

Primeiro Passo –  O lugar do alambique

Não caia na tentação de usar velhos hábitos improdutivos se de fato quer ter um produto orgânico, ou aquele produto que deve estar conforme as exigências da lei  federal do orgânico, de número 10.831, de 23 de Dezembro de 2003, que tem como base a produção sustentável, mas com produtividade capaz de garantir a sustentabilidade de todo processo produtivo. Neste primeiro passo, um passo crucial, porque se malfeito, voltar atrás poderá ter um preço alto, ou até inviabilizar seu projeto, você terá que, antes de mais nada, conhecer em detalhe esta lei do orgânico e melhor ainda se fizer um curso de produção orgânica da cachaça como o do CPT do professor Marcos Vacaro, ou outro similar.

Você pode ser aquele produtor que já tem o alambique e quer passar a produzir cachaça orgânica no mesmo alambique, diferente de nós da Cachaça Canela-de-Ema que já tínhamos a propriedade e não havíamos escolhido o lugar para o alambique e ainda ainda há aquele que nem  a propriedade tem e vai ainda escolher o lugar da mesma e do alambique, este sim, potencialmente, é o mais feliz se tiver lido este artigo antes de iniciar sua instalação.

A cana-de-açúcar é plantada em quase  todo território nacional, ela não exige muito do solo, mas não basta ter uma boa profundidade para o enraizamento, entorno de 1m e chuva acima de 1200 mm/ano, corrigir e adubar ajudam muito na produtividade, mas para a lavoura orgânica, embora os plantares possam ser os mesmos da lavoura convencional é exigido que as mudas, pré brotadas, ou não, sejam de origem orgânica, e isso pode complicar se você não tiver algum vizinho com produção orgânica de cana-de-açúcar, ou pode complicar ainda mais se você não tiver como acessar um produtor de mudas pré-brotadas de maneira orgânica.

Embora Goiás seja um dos grandes produtores de cana-de-açúcar orgânica do país, nós da Cachaça Canela-de-Ema optamos por mudas orgânicas pré-brotadas, MPB, da empresa Tech Cana, produzidas no município de Itumbiara neste mesmo estado, local onde está instalado nosso alambique. Essa escolha deve-se, primeiramente, ao fato da proximidade do alambique do local de produção das mudas e por aceitarem desenvolver mudas de maneira orgânica em duas variedades distintas, visando ter mais diversidade e ao mesmo tempo testar o desempenho destas espécies na produção de cachaça, sem falar que potencialmente estas mudas transplantadas são mais produtivas e efetivas que as mudas convencionais, com rendimento acima de 95%.

Você que já tem a lavoura convencional e quer ir para a produção orgânica com esta mesma lavoura é possível, mas se este for seu caso, além de ter que cumprir todos os passos aqui descritos, você deve fazer a conversão da sua lavoura do modo convencional para o modo orgânico com ajuda de uma certificadora orgânica, pois tem um período de tempo mínimo para desintoxicar sua lavoura, e ainda tem que ser monitorada pela certificadora previamente escolhida por você, mas se sua soqueira estiver no fim do ciclo, sugiro partir direto para uma lavoura nova orgânica.

distribuição de chuvas anula Itumbiara go

Precipitação e Temperatura máxima de 9 anos em Itumbiara

A obtenção de mudas geralmente não é um grande problema, mas estar próximo de quem produz estas mudas, como já vimos, pode ajudar e muito na redução de custos, e outro detalhe, não menos importante, é ter uma consultoria de um eng. agrônomo que domina a lei dos orgânicos para ajudar nestas definições e reduzir assim dissabores com a certificadora e suas não conformidades. No caso da Cachaça Canela-de-Ema contratamos uma consultoria do próprio estado de goiás que colaborou enormemente na obtenção das mudas pré-brotadas de alto rendimento, como foi possível confirmar nos primeiros cortes, com mais de 100 t /ha, mas só foi possível porque seguimos exatamente o plano de manejo determinado pela consultoria.

Em paralelo contratamos também a certificadora orgânica OIA, hoje com escritório em Goiânia, que foi encarregada de fazer uma pré-auditoria para avaliar as dificuldades da produção orgânica na fazenda lagoa seca, onde está nosso alambique, considerando toda propriedade onde seria construído o alambique e o local da propriedade onde seria plantada as mudas de cana-de-açúcar, uma sugestão do prof.  Dr. Paulo Marçal do departamento de agronomia da UFG,  que muito nos apoio e encorajou neste inicio da implantação, e foi, inclusive, quem nos indicou a consultoria contratada.

A pré-auditoria da OIA foi fundamental, não só porque apontou de antemão as principais não-conformidades da propriedade com relação as exigências da lei do orgânico em termos gerais, como também possibilitou uma caminhada segura, sem volta para ter que resolver não-conformidades detectadas tardiamente, com risco de inviabilizar o projeto, ou perder muito investimento.

Antes mesmo de preparar o solo para o plantio da cana-de-açúcar, primeiro semestre de 2018, tivemos que atender três observações cruciais da OIA da pré auditoria; não fazer uso de avião na aplicação de herbicidas nas lavouras dentro da propriedade manejadas pela empresa BP mediante contrato com o espólio de nossa família; providenciar barreira verde para minimizar as derivas de químicos aplicados nas lavouras convencionais no entorno da gleba escolhida para lavoura orgânica contíguas às instalações do alambique e ao lado da antiga sede da fazenda Lagoa Seca; ter instalações independentes e equipadas para armazenar os produtos a serem aplicados na lavoura orgânica.

Bom! nosso alambique já está em pleno funcionamento desde a safra de 2020, portanto, foram cumpridas todas as exigências da OIA, sendo a mais complexa ter em contrato com a BP que a mesma não mais usaria em nossa propriedade avião para aplicar herbicidas ou qualquer outro químico, tendo em vista reduzir o contágio por deriva por estes agentes da nossa lavoura orgânica.

A barreira verde foi feita com o plantio de “margaridão” e “capim elefante”, todos dois muito eficientes na contenção de derivas e recuperamos um antigo paiol para ser o depósito dos produtos a serem aplicados na lavoura orgânica quando necessário e assim com estas soluções a OIA liberou o plantio.

Você leitor que ainda vai adquirir o lugar para seu alambique, ou que não tem parte de sua propriedade alugada para terceiros, como nós, será poupado deste pesadelo que é ter que negociar com uma multinacional um detalhe tão insignificante e pouco interessante para os mesmos, mas confesso, foram muito camaradas e até rápidos na solução tão importante deste imbróglio.

Ainda nesta etapa a OIA nos pediu uma análise da água, realizada anualmente ou em período menor se for o caso, fundamental na produção de uma cachaça de qualidade e um item muito importante na sustentabilidade do processo e porque não dizer crítico, porque se o alambique, ou a sua propriedade não tiver água que atenda as exigências de potabilidade do MAPA, melhor mudar de negócio, ou avaliar a instalação de filtros e/ou uso de químicos, etc., para tornar sua água boa para cachaça, ou mesmo para irrigação se for o caso, seja ela obtida de uma nascente, poço, semi poço, ou poço artesiano, porque pode estar esta água contaminada, seja por condições naturais ou mesmo por contaminação por agrotóxicos de lavouras próximas, ou por químicos de alguma indústria igualmente próxima.

Na fazenda lagoa seca temos um poço semi artesiano de 110m de profundidade devidamente outorgado pelo estado de Goiás, embora contamos com seis nascentes e três poços caipiras preferimos o poço semi artesiano para ter assim mais estabilidade no volume e qualidade da água para produção de cachaça.

Então, aqueles que ainda não tem o local devem ter muito cuidado na escolha deste, avaliando em especial estas questões de contaminantes deste lugar, ou entorno, seja pela água, solo, ou ar, já aqueles que tem um alambique instalado, aprovado ou não pelo MAPA, poderão ter, do mesmo modo, complicações com contaminantes e derivas, correndo risco de verem seu projeto de produção orgânica ser inviabilizado, caso não consigam resolver estas questões no local da instalação, e em caso extremo ter que fechar seu alambique de cachaça convencional, caso ocorra uma vistoria do MAPA e seu alambique não estiver legalizado.

Segundo Passo – A lavoura orgânica

Com um plano de manejo feito por um boa assessoria e resolvido todas as pendências da primeira etapa, é hora de preparar o terreno para o plantio da lavoura orgânica, que no nosso caso, foi feito no primeiro trimestre de 2019, tendo sido usado dois plantares diferentes, conforme recomendação do plano de manejo, o cultivar CTC 4 e o cultivar RB96-6928, descritos abaixo.

Curvas de nível do terreno concluídas ou refeitas para melhor conter a água das chuvas e evitar erosão, é hora de começar a correção do solo, a adubação verde e orgânica. Usamos a crotolária spectabilis na adubação verde e na adubação orgânica um composto da empresa Hortobio Biotecnologia previamente aprovado pela OIA, depois de confirmada a inexistência de metais pesados e tóxicos.

Nosso plantio foi realizado com plantadeira da própria fornecedora das mudas pré brotadas acompanhada por um técnico em plantio desse tipo de mudas, junto com a colocação das mudas nos sulcos foi aplicado também um adubo mineral fosfatado para favorecer o enraizamento das mudas denominado Yoorin, o espaçamento entre linhas foi de 1,5m e entre as plantas 0,70 m. Tudo transcorreu como esperado, com chuva acima de 1200 mm/ano, o que confirma a não necessidade premente de irrigação.

Cultivar CTC 4:
▪ Características: perfilhamento alto, as folhas mais novas são eretas e as demais, arqueadas. Maturação média, colheita de julho a setembro, produtividade alta, perfilhamento alto, brotação ótima, tombamento médio, florescimento médio, teor de sacarose alto, teor de fibra baixo, resistente à carvão, moderadamente resistente à ferrugem, resistente a escaldadura, resistente ao mosaico.

Cultivar RB96-6928:
▪ Características: apresenta excelente germinação em cana-planta, brotação em soqueiras muito boa, alto perfilhamento em cana-planta e em cana-soca, com excelente fechamento de entrelinhas. Produção agrícola alta. A maturação é considerada como precoce a média, porém, com o período útil de industrialização – PUI, considerado longo, sendo indicada para colheita no Centro-Sul do Brasil a partir meados de abril até outubro.

Esta variedade apresenta-se como uma excelente alternativa de cultivo, quando se busca obtenção de elevadas produtividades de colmos e teor de sacarose entre os meses de abril a julho para a região Centro-Sul. Além destas características, a variedade RB966928 possui elevada sanidade vegetal, sendo tolerante a ferrugem marrom, ferrugem alaranjada, mosaico, amarelinho e escaldadura das folhas e moderadamente tolerante ao carvão.

Preparo do solo fluxograma

Fluxograma de preparo do solo para lavoura orgânica da Cachaça Canela-de-ema.

As principais pragas que ocorrem na cultura da cana são broca da cana (Diatraea saccharalis), cupins (Cornitermes cumulans), formigas cortadeiras (Attas spp. e Acromyrmex spp.), cigarrinha-da-raíz (Mahanarva fimbriolata), lagarta (Elasmopulpus lignosellus) e nematoide (Meloidogyne incognita).

A Broca da cana (Diatrea Saccharalis) é a principal praga da cana em nossa região, sendo provavelmente originária da América Central e do Sul. O adulto da broca-da-cana é uma mariposa que faz a postura dos ovos nas folhas da cana, de preferência na face dorsal. A fase larval é uma lagarta que se alimenta inicialmente do parênquima das folhas, depois penetra no colmo, perfurando-o, abrem galerias de baixo para cima.

Nos últimos estágios de desenvolvimento as lagartas abrem um orifício para a saída da futura mariposa, em média aos 40 dias, fazem um orifício para o exterior e fecha o com fios de seda e serragem. Passam para a fase de pupa e depois novamente a adulto fechando o ciclo que dura em torno de 53 a 60 dias.

Estas lagartas causam prejuízo direto pela abertura de galerias que ocasionam perda de peso. Quando abrem galerias circulares, seccionando os colmos, provocam o tombamento da cana pelo vento. Nas canas novas provocam a morte do ponteiro “coração morto”. Podem ocorrer também enraizamento aéreo e brotações laterais.

Os prejuízos indiretos ocorrem pela entrada de fungos Colletotrichum falcatum e Fusarium moniliforme, que causam a podridão vermelha, provocando a inversão da sacarose, diminuindo a pureza do caldo (contaminam o caldo e concorre com as leveduras no processo de fermentação alcoólica), reduzindo os teores de açúcares.

Adotamos os seguintes cuidados preventivos recomendados pela nossa assessoria técnica para controle da broca, variedades resistentes, sistema de plantio MPB que produz mudas sadias reduzindo a proliferação da broca na área de plantio, corte da cana sem desponte, fazer a moagem rápida, eliminação das plantas hospedeiras das proximidades do canavial, principalmente milho e milheto, após suas colheitas.

O controle da broca que adotamos foi o biológico com a vespinha” Cotesia flavipes. É um parasitoide da broca da cana introduzido no Brasil na década de 1970 e desde então tem sido produzido em larga escala em todo pais, sendo o principal método de controle desta praga, que apresenta um comportamento que a torna quase que inatingível por inseticidas convencionais.

As cotesias ao serem liberadas nos canaviais penetram o colmo da cana por orifícios feitos pela broca e colocam seus ovos dentro das lagartas, onde suas larvas se desenvolvem e após alguns dias completam o ciclo e saem das lagartas levando-as à morte. Se trata de um parasitoide que possui um ciclo de 21 dias aproximadamente. É sensível a elevadas temperaturas, portanto, a liberação deve ser nas horas mais frescas do dia, de manhã ou no final da tarde. As vespinhas vêm em copos plásticos, cada copo possui 1.500 vespas aproximadamente. Os copos estão prontos para liberação quando 70 a 80% das vespas estiverem nascidas.

Só a broca de fato é um problema nas lavouras do alambique Cachaça Canela-de-Ema e região, mas o controle biológico com uso de vespinhas adotado acima resolveu. De inicio assustamos com a ação das formigas cortadeiras quando a cana estava ainda muito nova, mas foi só susto, porque as cortadeiras, mesmo quando tem formigueiros no interior da lavoura, preferem cortar outras plantas no entorno da lavoura, até porque as folhas da cana endurecem muito rapidamente e ai as cortadeiras desistem de vez da tentativa de atacar o canavial orgânico.

Mas se você quer de vez acabar com as cortadeiras é permitido usar enxofre, que atua como fungicida, pulverizado nos buracos dos ninhos, aplicando o com polvilhadeira. As demais pragas citadas acima não foram importantes, portanto não controladas.

As principais doenças que ocorrem na cultura da cana são carvão da cana; escaldadura das folhas; raquitismo das soqueiras; mosaico; estria vermelha; mancha parda; ferrugem marrom; podridão vermelha; podridão abacaxi e ferrugem alaranjada. O controle destas doenças basicamente é feito com a utilização de variedades resistentes e/ou tolerantes. Os cultivares que utilizamos, CTC 4 e RB-96-6928, são resistentes e/ou tolerantes ao carvão, ferrugem (marrom e alaranjada), escaldadura, mosaico e amarelinho. Portanto a ocorrência de doenças na cana-de-açúcar não é e não foi para nós da Cachaça Canela-de-Ema uma preocupação na fazenda lagoa seca.

Em paralelo foi realizada a primeira auditoria OIA de fato na propriedade e desta feita também na lavoura. A única não conformidade observada pela auditoria foi ter que replantar uma parte da barreira verde que havia morrido por falta de chuva no inicio de sua plantação em janeiro de 2019, o que foi resolvido de imediato e com isso recebemos a declaração de que toda a lavoura, bem como toda a propriedade, estavam conforma a lei do orgânico, o que nos animou a incrementar a construção do alambique que já estava acontecendo em paralelo desde início de 2019.

Terceiro Passo – Produção do destilado

O Plantio e o manejo da lavoura foi um sucesso, com a obtenção de 100 t/ha de cana no primeiro corte, para as duas variedades usadas, uma vez que a média brasileira está entorno de 75 t/ha, e houve também um bom rendimento na produção do  caldo, do mosto e do destilado. O valor do brix medido na geração do caldo variou entre 24 a 26, indicando um alto índice de sacarose, confirmado no alto rendimento da produção do mosto e do destilação, com mais de 160 litros de cachaça/1000 litros de vinho.

Você pode estar perguntando se o alambique já estava aprovado pelo MAPA quando entramos nesta terceira etapa, tendo em vista ser um alambique implantado em paralelo com a produção da cana. Quem já tem um alambique funcionando e já aprovado, a principal preocupação é ter a lavoura orgânica aprovada por um órgão certificador, que pode ser outro que não a OIA, como por exemplo a IBD, mas no nosso caso foi um pouco mais complicado porque para adiantar o processo convidamos o MAPA para uma vistoria prévia, já no inicio da produção do destilado, quando a parte do engarrafamento ainda estava em construção e só funcionava a destilaria, o que acabou atrasando, porque a aprovação MAPA ficou dependendo da conclusão da linha de engarrafamento e consequentemente atrasando a aprovação da planta pela OIA, uma vez que esta só acontece mediante aprovação MAPA da planta, que no nosso caso era de produção e engarrafamento.

No inicio de 2021 já tínhamos atendido todas as pendências elencadas pelo MAPA e no caso de Goiás é direto com um agente do ministério, porque não há em Goiás um órgão estadual mediador do MAPA como em Minas Gerais que é o IMA. Uma vez aprovada a planta, ou melhor o alambique, incluindo todo o processo, desde a moagem até o estoque de garrafas devidamente rotuladas e seladas, imediatamente a OIA concedeu a devida certificação da capacidade do Alambique Cachaça Canela-de-Ema de produzir, engarrafar e comercializar cachaça orgânico, um raro feito, pois conseguimos o selo orgânico de nossa cachaça no primeiro ano de produção, mas isso só foi possível porque, tanto a lavoura como o alambique, foram concretizados com apoio de especialistas experientes e atentos.

O processo de produção, da obtenção do mosto até o destilado, passando pela fermentação que produz o vinho, tem que mostrar controles de higiene do ambiente e dos manuseadores, bem como controles técnicos e registros dos principais parâmetros de produção, como brix do caldo e do mosto, teor alcoólico do destilado, etc. Em caso de uso de fermentos para dar início ao pé de cuba, este não poderá ser qualquer fermento, pois a certificadora tem que aprovar este fermento previamente, bem como o alimento ou antibiótico, se for o caso, o que complica um pouco, são raros e caros ainda.

Para quem usa ou pretende usar a levedura encontrada na própria cana-de-açúcar e o milho, ou qualquer outro cereal, como alimento da levedura, terá, com certeza, menos restrições para aprovação destes por parte da certificadora eleita por você, uma vez que este processo é mais usado em especial em minas. Nós da Cachaça Canela-de-Ema adotamos o já conhecido CA11, composto de leveduras liofilizadas, de fácil uso, e permite ter cachaça pronta em 24 horas, basta ter caldo novo todo dia, muita higiene, que tudo vai muito bem.

Quarto Passo – Engarrafamento e estoque do produto

Nesta etapa os pontos mais importantes foram a obtenção do selo da casa da moeda, uma romaria desde o pedido na receita federal até sua colocação em cada garrafa e seu controle contábil, o controle de higiene de todo o alambique e em especial das salas do lavagarrafas, engarrafamento propriamente dito e da rotulagem, descrição, registro e cumprimento dos POP’s, Procedimentos Operacionais Padronizados, da linha de produção etc.

Como temos produção de cachaça orgânica e convencional na fazenda Lagão Seca, o controle de estoque, seja em garrafa ou a granel, tem que ser tal que não haverá mistura de um produto com outro, reservatórios distintos e identificados. O sistema de rastreabilidade do produto deve ser bem pensado para evitar mudanças mais à frente e assim evitar mudança do critério de registro do lote em cada garrafa de cachaça e é fundamental manter um arquivo controlado da análise de cada lote de produto estocado para posterior padronização e engarrafamento com segurança e qualidade.

Cada garrafa cheia de Cachaça Orgânica terá que mostrar em seu rótulo o selo de comprovação da sua conformidade com as práticas exigidas pela lei do orgânico descrita acima, que só é emitido pela certificadora, em nome do estado brasileiro, quando a planta já está aprovada pelo MAPA, conforme já comentamos acima. Em breve estará disponivel em nossa loja online, Empório Cachça Canela-de-Ema, nossa cachaça orgânica, Prata ou Ouro com envelhecimento no carvalho americano. O endereço físico da loja é o mesmo do alambique cachaça canela-de-ema.

selo orgânico no rótulo da cachaça canela-de-ema

Rótulo cachaça canela-de-ema com selo orgânico nacional

 

Abaixo uma vista geral do alambique cachaça canela-de-ema

Autor: Adão Vieira de Faria

Revião e edição: Felipe G. J. de Faria


Empório Cachaça Canela-de-ema

Loja virtual, e-commerce, da empresa Agronegócios Fazenda Lagoa Seca do Brasil LTDA que comercializa, no atacado e varejo, cachaça artesanal, orgânica e produtos afins. Todos os produtos são devidamente escolhidos com base nos melhores resultados dos testes de qualidade conforme critérios do MAPA.

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