Armazenar Envelhecer e Acondicionar Cachaça

Armazenar cachaça em barris de madeira modifica as propriedades organolépticas deste destilado. Estas propriedades dependem de fatores determinantes como a qualidade da cachaça a ser estocada para envelhecimento, seu teor alcoólico, o tamanho do barril, o tipo de madeira do barril e seu estado de conservação, o período de estocagem, se o barril passou ou não por tosta e, até mesmo, as condições ambientais da adega.

Várias madeiras brasileiras se mostraram ideais para armazenamento, graças às suas resistências, baixa porosidade (reduzindo a evaporação) e baixa capacidade de interferir sensorialmente na bebida, mantendo as principais características da cachaça pura.

Para a cachaça ser considerada envelhecida, 50% do seu volume engarrafado deve maturar por pelo menos um ano em barril de, no máximo, 700 litros. A maioria das cachaças envelhecidas passa por carvalho americano ou europeu, anteriormente utilizados para o processo de envelhecimento de uísques.

De acordo com o tempo de maturação em barris e dornas de madeira, podemos classificar a cachaça como prata, ouro, premium, Extra Premium ou reserva especial..

Durante a maturação, o álcool extrai compostos da madeira e o oxigênio, que circula pelas porosidades do barril, contribui para a formação de ácidos, ésteres e aldeídos que modificam a bebida.

Enquanto outros destilados são envelhecidos em barris de carvalho, europeu ou americano, a cachaça se diferencia porque pode passar por esse processo em mais de quarenta espécies de madeiras nacionais, tais como jequitibá-rosa, jequitibá-branco, bálsamo, amendoim, ipê, amburana, grápia, ariribá, jatobá, freijó e canela-sassafrás, entre outras, o que traz identidade e autenticidade ao destilado nacional

1 – Cachaça na Amburana

Ou umburana, cerejeira, cumaru-do-ceará, amburana-de-cheiro, cumaru-de-cheiro

Nome científico: Amburana Cearenses

Ocorrência: Encontrada no nordeste, centro-oeste e sudeste do Brasil.

Cor da cachaça: Âmbar cristalino em tonéis de baixo volume (200 litros), mas em dorna de grande volume, amarelo-pálido.

Aroma e sabor da cachaça: Levemente adocicado, baunilha, frutado, cravo, canela e sabores e aromas de outras especiarias são desenvolvidos. O aroma amadeirado leva alguns provadores a defini-la como “madeira antiga” ou “armário da casa da vovó”.

Essa madeira diminui consideravelmente a acidez e o teor alcoólico da cachaça nela armazenada. A considerável concentração de fenólicos do grupo vanilina é responsável pelo sabor e aroma da cachaça envelhecida.

A estrutura das fibras dessa madeira e sua composição promovem a melhor extração do etanol e boa oxidação. Possui compostos bioativos oriundos desses extrativos, antocianidinas e compostos fenólicos antocioânicos (FIGUEIREDO ET AL., 2013).

Esses compostos possuem propriedades antimicrobianas, podendo promover a estabilidade microbiológica durante o envelhecimento. Devido às características sensoriais intensas da Amburana, é harmonizada a partir de blends com madeiras mais inertes como Amendoim e Jequitibá.

2 –Cachaça no BÁLSAMO 

ou pau-de-óleo ou cabriúva ou cabriúna-preta, ou pau-bálsamo

Nome científico: Myrocarpus Frondosus

Ocorrência: Sul da Bahia até o Rio Grande do Sul.

Cor da Cachaça: Em barris novos, tons âmbar-avermelhados, se envelhecida por muitos anos em tonéis antigos e de grande volume, a cachaça ganha uma cor dourada com tons esverdeados.

Aroma e Sabor: Em barris novos, sabores amadeirado e vegetal. Se envelhecida por muitos anos em tonéis antigos e de grande volume, ganha aromas intensos, trazendo notas herbáceas, ameixa seca e de especiarias, como anis, cravo e erva-doce, e a sensação de picância e adstringência ao destilado.

Sua alta concentração de terpenos, comparada com outras madeiras, como a Amburana e o Carvalho, contribui com descritores sensoriais diferenciados destacados acima. A tosta reduz a intensidade tânica do Bálsamo, equilibrando seu dulçor e originando notas de especiarias, como o cravo.

3 – Cachaça no JEQUITIBÁ-ROSA

ou jequitibá- vermelho, jequitibá- cedro, estopa, jequitibá- grande, pau-caixão, pau-carga, congolo-de-porco e caixão.

Nome científico: Cariniana legalis, há outras espécies, – cariniana estrellensis – jequitibá-branco ou somente jequitibá, cariniana rubra – jequitibá-vermelho, cariniana parvifolia – jequitibá-cravinho.

Ocorrência: Acre, Centro-Oeste, Sul da Bahia e Sul do país. Árvore símbolo dos estados de São Paulo e Espírito Santo, em extinção.

Cor da cachaça: Quase não altera a coloração da cachaça, oscilando entre o vermelho-claro e o rosa de brilho moderado. Em barris de pequeno porte, a cor torna-se dourada pronunciada. Para o jequitibá-branco, como o nome sugere, a cor não é intensa, especialmente em tonéis de grande porte, variando do amarelo-pálido ao palha.

Aroma e sabor: Aromas e sabores pronunciados e agradáveis se o destilado foi envelhecido em barris de pequeno porte. Pela presença de vanilina, que agrega notas de baunilha à cachaça, é considerada a madeira nacional que mais se assemelha ao carvalho americano. Cheiro imperceptível; textura macia.

O jequitibá-branco, como o nome sugere, não confere aromas ou sabores pronunciados ao destilado, sendo pouco usado em barris para envelhecimento de cachaça e, às vezes, utilizado como dorna de armazenamento para posterior envelhecimento em outras madeiras, como amburana e carvalho.

4 – Cachaça no ARIRIBÁ

Ou Araribá-Vermelha, araribá-rosa, araruva, potumuju

Nome científico: Centrolobium Tomentosum

Ocorrência: Sudeste e Centro-Oeste do Brasil. Os produtores de cachaça do interior do Paraná utilizam bastante o cultivo da Araruva.

Cor da cachaça: Amarelo-pálido e maior oleosidade na bebida.

Aroma e sabor da cachaça: leve buquê de flores e vegetal, se tostada, a madeira traz aromas de frutas vermelhas como o morango.

É uma das madeiras que mais confere oleosidade ao destilado por ser rica em glicerol, componente natural desejável.

5 – Cachaça no CARVALHO EUROPEU

Ou carvalho-alvo ou carvalho-branco

Nome científico: Quercus Petraea

Ocorrência: Europa

Cor da cachaça: Âmbar ou amarelo-pálido ao castanho-avermelhado.

Aroma e sabor da cachaça: Sutil, temperado, lembrando amêndoa e adocicado, contribuindo com textura e adstringência. Ao paladar, pode apresentar notas de baunilha, figo, mel, além de sabores frutados e alcoólicos e uma sensação aveludada.

Sinapaldeído e caniferaldeído, compostos de degradação da lignina da madeira, são os responsáveis pelo aroma e sabor. A viscosidade e o corpo se destacam devido à alta concentração de ácido gálico proveniente dessa madeira.

Esse congênere de maturação, maior no carvalho francês do que no europeu, não contribui com buquê aromático, porém interfere diretamente no corpo do destilado.

O carvalho europeu é a madeira mais usada no envelhecimento de cachaça e é diferente do carvalho americano (Quercus alba). É considerada a madeira mais nobre graças a sua morfologia. Seu crescimento mais lento que o carvalho americano origina a formação de fibras mais fechadas, resultando em uma riqueza na extração de compostos aromáticos

6 – Cachaça no CARVALHO AMERICANO

ou carvalho branco

Nome científico: Quercus alba

Ocorrência: América do Norte

Cor da cachaça: Coloração dourada

Aroma e Sabor: Intensos e adocicados, com notas de baunilha, coco, mel e frutas secas. Às vezes, podem ser encontrados aromas de caramelo, café torrado e especiarias. Vale lembrar que essas características podem variar em decorrência da origem geográfica da árvore e das técnicas de tanoaria, como a tosta, por exemplo.

O carvalho americano tem a capacidade de produzir cachaças como a Cambéba extra premium 10 anos e a Canela-de-ema Premium, com sabores e aromas supremos. Essa madeira é rica em whisky lactonas, que propiciam aromas muito presentes de coco e baunilha.

Os mais importantes compostos na madeira são o Cis e o Trans do β-Metil-Υ-Octalactona, conhecidos também pela designação de whisky-lactona devido ao típico odor de coco. Esse composto, quando presente em pequenas quantidades, assemelha-se à madeira fresca.

O Cis associa à sensação de coco um aroma herbáceo tênue, mas persistente e doce. O Trans, por sua vez, assegura uma nota de especiarias, mas quatro vezes menos intensa. O envelhecimento do carvalho influencia a proporção entre o Cis e o Trans Octalactona.

As madeiras mais envelhecidas possuem maiores teores de Cis que as madeiras mais jovens, e as tostaduras fortes diminuem as quantidades de lactonas. Normalmente, o carvalho americano apresenta quantidades superiores de lactonas em relação ao carvalho francês.

7 – Cachaça no Jacarandá

Ou amendoim-bravo, uruvalheira, ipê-branco, jacarandá e jacarandá-branco.

Nome científico: Platypodium elegans

Ocorrência: Cerrado brasileiro

Cor da cachaça: Amarelado suave

Aroma e sabor da cachaça: Sabor adstringente e menos ácido.

Essa madeira também propõe um melhor cultivo do sabor da cachaça branca, destilado muito usado para o preparo de drinques que acompanham em sua receita sabores cítricos, como a caipirinha.

8 – Cachaça no aMENDOIM

Ou amendoim bravo, guarucaia, pau-amendoim, óleo branco, amendoim-falso, madeira nova, viraró, pau de fava, carne de vaca, bálsamo, bassourinha, sucupira, vilão, angico-bravo, canafístula, ibirapiutá, tamboril-bravo, amendoim do campo.

Ocorrência: Mata atlântica, cerrado, caatinga

Nome científico: Pterogyne Nitens Tul

Cor da cachaça: castanho-rosado ou amarelo-claro, suaves, quase imperceptível, densidade alta; textura grossa.

Aroma e sabor da cachaça: Cheiro e gosto imperceptíveis, preserva o sabor e aroma da cana, mantendo o caráter e a integridade da bebida. Baixa um pouco a acidez e o teor alcoólico.

Uma das mais nobres para o envelhecimento de cachaça. Essa madeira alcança um patamar dificilmente alcançado por outras, pois ela consegue preservar o que existe de melhor na cachaça como o sabor e aroma da cana, acentuando essas virtudes e ainda diminuindo sua acidez e seu teor alcoólico, mas sem alterar seus sabores. Madeira raríssima, em extinção, de extração proibida ou controlada em lei, encontrada geralmente em reservas ou parques florestais.

9 – Cachaça no ANGELIM-ARAROBA

Ou amargoso, angelim, fava, fava-amarela, faveira, fava-amargosa, faveira-amarela, faveira-bolacha, faveira-de-impigem, faveira-grande-do-igapó.

Nome científico: Vataireopsis araroba

Ocorrência: Bahia, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Cor da cachaça: sem referência.

Aroma e sabor da cachaça: sem referência.

Madeira naturalmente de alta resistência ao apodrecimento e à ação de cupins de madeira seca, mas susceptível ao ataque de brocas e organismos marinhos.

10 – Cachaça no ARAUCÁRIA

Ou pinheiro-brasileiro, pinheiro-do-paraná, pinho e curi.

Nome científico: Araucária angustifólia

Ocorrência: Sul do Brasil, no leste e sul do estado de São Paulo, sul do estado de Minas Gerais, principalmente na Serra da Mantiqueira, na Região Serrana do Rio de Janeiro.

Cor da cachaça: Baixa alteração da cor original da cachaça.

Aroma e sabor: Cheiro e gosto pouco acentuados, característicos de resina, agradável; densidade baixa, entretanto altera pouco o aroma e o sabor original da cachaça.

Baixa resistência ao apodrecimento e ao ataque de cupins-de-madeira-seca, susceptível aos fungos causadores da mancha azul e perfuradores marinhos.

Apesar de ser um Símbolo do Estado do Paraná e protegida por lei, a Araucária está em extinção. A espécie é sempre estudada para descobrir suas propriedades científicas, preservar e assegurar a sobrevivência desta espécie sensível e única.

11 – Cachaça na CASTANHEIRA

Ou Castanheira do Pará, amendoeira-da-américa, castanha, castanha-do-brasil, castanha-do-maranhão, castanha-do-pará, castanha-verdadeira, castanheira-rosa, castanheiro, noz-do-brasil, castanha-da-amazônia, castanha-do-acre, noz amazônica, noz boliviana, tocari ou tururi.

Nome científico: Bertholletia Excelsa

Ocorrência: Nativa da Amazônia, encontrada em florestas às margens de grandes rios, como o Amazonas, o Negro, o Orinoco e o Araguaia, mas está ameaçada de extinção.

Cor da cachaça: Com propriedades semelhantes ao Carvalho Europeu, transmite à bebida uma cor amarelada, suavidade.

Aroma e sabor da cachaça: Um leve gosto adocicado, aroma e sabor característico do próprio fruto da castanheira.

Durabilidade natural, madeira resistente ao ataque de fungos e insetos.

12 – Cachaça no EUCALIPTO

Nome científico: Eucalyptus

Ocorrência: Austrália, mas adaptou-se muito bem ao clima e às terras do Brasil.

Cor da cachaça: Praticamente inalterada, observado para a variedade de eucalipto “Lima”, uma espécie rara no Brasil.

Aroma e sabor da cachaça: Próximos do carvalho europeu para o eucalipto Lima, inclusive no envelhecimento acelerado*, com dulçor elevado e equilíbrio entre frutado, castanhas e especiarias.

Durabilidade: Natural, com moderada resistência aos fungos apodrecedores e cupins, mas baixa durabilidade aos fungos de podridão mole e cupins-de-solo. É objeto de estudos das universidades e instituições de pesquisa sobre o aproveitamento de madeiras adaptadas às condições brasileiras.

As primeiras pesquisas com diversos tipos de eucalipto indicaram resultados na cachaça semelhantes ao carvalho, restando ainda o aprofundamento nas análises químicas e sensoriais. É madeira de reflorestamento e apropriada para barris de envelhecimento. A espécie eucalipto Lima ainda é rara no Brasil.

A prática de envelhecimento acelerado consiste em colocar pedaços de madeiras infusionados na bebida alcoólica, podendo, em um curto período, trazer resultados semelhantes ao armazenamento por meses ou anos em dornas e barris.

No entanto, nada se compara ao envelhecimento natural da bebida em barris ou dornas – existe uma relação entre tempo e interação da bebida com a madeira e o oxigênio que é particular do processo de interação em barris, tonéis, paióis e dornas.

13 – Cachaça no FREIJÓ

Ou frei-jorge, freijó-branco, freijó-preto, freijó-rajado, louro-freijó, freijó-verdadeiro. É encontrado no Amazônia, Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia.

Nome científico: Cordia Goeldiana

Ocorrência: Na Guiana Francesa e no Brasil, na floresta amazônica, em regiões de matas altas de terra firme, com maior ocorrência no estado do Pará. Encontra-se também nos estados do Acre, do Amapá, de Rondônia, do Maranhão, do Tocantins e do Mato Grosso.

Cor da cachaça: Cor amarelada

Aroma e sabor da cachaça: Levemente amarga e baixa acidez

Durabilidade natural moderada ao ataque de fungos e insetos e baixa resistência ao ataque de cupins. A madeira se bem seca, curtida ou adequadamente tratada, equipara-se ao amendoim e ao jequitibá-rosa.

14 – Cachaça na GRAPA

Ou Grappia, garapa-amarelinho, barajuba, garapa, garapeira, gema-de-ovo, grápia, jataí-amarelo, muirajuba, muiratuá, grapiapúnha.

Nome científico: Apuleia leiocarpa

Ocorrência: Amazônia, Mata Atlântica, Acre, Amapá, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio Grande do Sul, Rondônia e São Paulo.

Cor da cachaça: Amarelo pálido, altera muito pouco a cor da cachaça.

Aroma e sabor: Baixa acidez e teor alcóolico da cachaça, deixando-a suave e macia, levemente amadeirada, semelhante àquela armazenada no carvalho curtido.

Resistência moderada ao ataque de fungos apodrecedores e alta resistência ao cupim-de-madeira-seca.

15 – Cachaça no IPÊ-AMARELO

Ou pau d’arco e peúva, aipê, peroba-de-campos, ipê-caboclo (Tabebuia insignis), ipê-mamono (Tabebuia Alba), ipê-branco, ipê-mandioca, ipê-ouro, ipê-pardo, ipê-vacariano, ipê-tabaco, ipê-do-cerrado, ipê-dourado, ipê-da-serra, ipezeiro, pau-d’arco-amarelo, taipoca. Considerada árvore nacional de importância simbólica equivalente ao pau-brasil.

Nome científico: Handroanthus Albus 

Ocorrência: Encontrado em todo Brasil em plantio isolado, natural da Floresta Amazônica, Cerrado e Rio de Janeiro.

Cor da cachaça: Madeira que transforma muito a cachaça e recebe tom alaranjado.

Aroma e sabor: Forte e maciez acentuada.

Durabilidade natural muitíssimo resistente à putrefação.

16 – Cachaça no JATOBÁ

Ou copal, courbaril, jataí, jataíba, jatobá-curuba, jatobazinho, jutaí-açu, jutaí-do-igapó, jutaí-grande, jutaí-mirim, jutaí-vermelho e quebra machado.

Nome científico: Hymenaea Courbaril

Ocorrência: É encontrado em quase todas as matas nativas do Brasil. É encontrado desde o sul do México e Antilhas até grande parte da América do Sul, é encontrada em altitudes superiores a 700 metros acima do nível do mar

Cor da cachaça: Praticamente inalterada

Aroma e sabor: Reduz a acidez, deixando-a macia, levemente adocicada, com cheiro e sabor próprios. Aproxima-se do carvalho europeu.

Durabilidade alta, altamente resistente às térmitas e fungos de podridão branca e parda, mas susceptível aos perfuradores marinhos. O tronco produz um óleo tido pelo povo como medicinal.

17 – Cachaça no SASSAFRÁS

Nome popular de várias espécies do género Sassafrás e de outras plantas da família das lauráceas, entre as quais: Canela sassafrás, sassafrás amarelo, ou ainda sassafrás-do-paraná, sassafrás-de-Guiana e sassafrás-do-rio.

Nome científico do sassafrás brasileiro: Ocotea odorífera

Ocorrência: O Sassafrás brasileiro é nativo desde Santa Catarina até a Bahia.

Cor da cachaça: Tom amarronzado

Aroma e sabor cachaça: Forte sabor, agressiva, bastante amadeirado que descaracteriza a bebida.

Durabilidade natural muito resistente. As árvores nativas estão extintas. Somente em reflorestamento.

18 – Cachaça na JAQUEIRA

Ou fruta pão

Nome científico: Artocarpus Heterophyllus

Cor da cachaça: amarelo pálido ou âmbar.

Aroma e sabor da cachaça: Doçura intensa acompanhada de especiarias.

Ocorrência: A árvore da jaqueira é comum no Brasil, mas sua origem é do sul da Ásia, provavelmente da Índia.

Usada para fazer doces, compotas, geleias, mais recentemente vem sendo usada para produção de barris para envelhecer bebidas, especialmente cachaça.

19 – Cachaça no CUMARU

Ou cumaru-ferro, cumbaru, cumburu, paru, cumaru-verdadeiro, cumaru-amarelo, cumaru-do-amazonas e curumazeiro.

Nome Científico: Dipteryx Odorata

Ocorrência: Nativo do Brasil, Colômbia, Guiana Francesa, Guiana, Peru, Ilhas Seychelles e Suriname.

Cor da cachaça: sem referência

Aroma e sabor da cachaça: sem referência

O Cumaru é rico em cumarina, matabólito encontrado em diversas plantas como a erva-doce e guaco. O seu aroma remete a baunilha, com bastante intensidade. A cumarina é amplamente usada na indústria de cosméticos e aromatizantes.

O cumaru é de dulçor elevado e resinosidade mediana. A amburana também é rica em cumarina, sendo muito mais popular na tanoaria brasileira para envelhecer bebidas do que o próprio cumaru.

De acordo com uma pesquisa da Universidade Federal do Pará, de resultado revelado pela Agência Pará, uma substância presente no cumaru, ao ser aplicada de forma intravenosa, induz as células-tronco, responsáveis pela produção de neurônios, a formarem novos neurônios.

20 – Cachaça no VINHÁTICO

Ou acende-candeia, amarelinho, amarelo, candeia, vinhático-do-campo, oiteiro, paricazinho, pau-candeia, pau-de-candeia.

Nome Científico: Plathymenia foliolosa ou Plathymenia reticulata

Ocorrência: Pernambuco, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo.

Cor da cachaça: Amarelo ouro

Aroma e sabor da cachaça: Gosto acentuado, próximo ao da própria madeira.

Durabilidade natural, Madeira leve, mole, fácil de ser trabalhada, com resistência duradoura, pois é também muito usada na construção civil e naval.

21 – Cachaça na PEREIRA

Ou Acarirana, Pau-Pereira, Pau-Forquilha, Quinarana. Árvore da família das apocináceas de flores pequeninas.

Nome científico: Geissospermum sericeum e Geissospermum laeve

Ocorrência: América do sul

Cor da cachaça: sem referência

Aroma e sabor: sem referência

Durabilidade natural, madeira sem préstimo para a marcenaria ou mesmo a carpintaria. Mole de fácil apodrecimento, não resistente a fungos. Casca amarga, usada como medicamento contra febres. Viagra da boemia carioca do século passado.

22 – Cachaça no PAU BRASIL

Ou pau-de-pernambuco, arabutã, ibirapiranga, ibirapitá, ibirapitanga, orabutã, pau-de-tinta, pau-pernambuco e pau-rosado.

Ocorrência: Mata Atlântica no Brasil

Nome científico: Paubrasilia echinata 

Cor da Cachaça: Vermelho alaranjado

Aroma e Sabor da Cachaça: cachaça encorpada e com sensação no retro gosto bem longa. Tão diferente que se torna inesquecível.

23 – Cachaça no MOGNO AFRICANO

Mogno Africano

Ocorrência: Árvore original do continente africano, difundida e plantada em várias regiões do Brasil.

Nome científico: Khaya Grandifoliola

Cor da Cachaça: Caramelo

Aroma e sabor da cachaça: Sabores e aromas florais e de frutas secas, com leve retrogosto adstringente.

24 – Cachaça na CANELA-AMARELA

Nome Científico: Nectandra puberula Nees (Nectandra lanceolata Nees).

A árvore tem entre 10 e 20 metros de altura, ramos curtamente pubérulos nas pontas e mais ou menos angulosos; casca cinza, manifestamente sulcada; folhas lanceoladas, acuminadas, finamente coriáceas; pecíolo levemente caniculado, puberulo, 10-15 mm, panículas piramidais, axilares e puberulentas, 6-10 cm; ramos laterais 10-15 mm; flores tríades; pedúnculos com 3-5 mm, flores alvas e perfumadas; fruto globoso, 10-15 mm de diâmetro circunscrito, cúpula plana.

Sua madeira é amarelo-pardacenta-clara, uniforme, superfície lisa e pouco lustrosa, moderadamente dura e pesada, compacta; durabilidade boa. Empregada em construções, tabuados, ripados, mourões, estacas e dormentes.

Cor da Cachaça: Amarelo âmbar

Aroma e sabor da cachaça: Levemente adocicado, frutado, cravo, canela, amadeirado e sabores e aromas de outras especiarias são desenvolvidos, o lembra a amburana. Essa Cachaça possui sabor surpreendente, exclusivo e único, quando na taça, chama a atenção pela sua cor quase âmbar, cujo paladar transporta do adocicado ao herbal.

A cachaça não envelhecida em madeira é incolor, enquanto as que passam por madeira apresentam uma diversidade de cores. As principais cores são definidas como: âmbar-escuro, âmbar, caramelo, dourado, palha, amarelo-pálido. Outras nuances de cor, intermediárias dessas propostas, também podem ser observadas.

Para observar a cor, cada cachaça deve ser servida em taça transparente apropriada e em local bem iluminado. Para a melhor avaliação, é sugerido o uso de um papel branco, que, posicionado atrás do recipiente, permite visualizar a tonalidade do líquido sem a interferência de objetos que possam estar no ambiente.

Abaixo uma sequência de copos de cachaça, copos do tipo shot, com várias colorações, do Incolor ao âmbar-escuro.

25 – Cachaça no GUANANDI

Nome Científico: Calophyllum brasiliense Cambess

Guanandi, também conhecida como Jacareúba, faz parte do grupo de madeiras considerada madeira de lei brasileira, desde o período imperial. Muito utilizada na construção dos navios
das frotas portuguesas e inglesas.

Essa madeira é muito usada para fabricar canoas, mastros de navios, vigas para construção civil, assoalhos, marcenaria e carpintaria. Árvore encontrada em vários biomas brasileiros, sendo os principais: Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica (pode ser encontrada do norte do Brasil e até o norte do estado de Santa Catarina), em alguns estados é considerada como espécies ameaçadas de extinção

Cor da Cachaça: Amarelo Palha

Aroma e Sabor da Cachaça: Sem referência com qualquer outra cachaça envelhecida em outras madeiras, trás uma novidade interessante e com conteúdo sensorial que ainda não existe no mercado. Tem notas levemente adocicadas, uma suave picância retrogosto
suave e levemente adocicado.

26 – Cachaça na AROEIRA

Nome cientifico: Família Anacardiaceae, Espécie  Sachinus terebinthifolius (Aroeira vermelha ou Aroeira Pimenteira); Espécie Myracrodruon Urundeuva (Aroeira Preta, Aroeira do Sertão ou Aroeira Verdadeira).

A aroeira é uma árvore nativa da América do Sul, encontrada em países como Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai. No Brasil, ela ocorre naturalmente em diversos estados e é adaptada a climas tropicais e subtropicais.

É uma família com espécies bastante versáteis e presentes em diferentes biomas como o Cerrado, a Mata Atlântica e o Pampa. A madeira da aroeira é resistente e usada principalmente em construções rurais, como mourões de cerca, postes, esteios e dormentes.

Também é utilizada na construção civil e na produção de lenha e carvão de boa qualidade. Apresenta uma única semente, que é comestível e possui alto teor de óleos essenciais aromáticos com sabor apimentado e levemente adocicado, usados como condimento. Os frutos são utilizados como substituto da pimenta-do-reino.

A espécie Myracrodruon urundeuva, ou aroeira-preta, por causa do seu valor econômico, madeira muito densa e resistente ao apodrecimento, foi explorada de maneira predatória e, por isso, faz parte da lista de espécies ameaçadas de extinção na categoria “vulnerável”.

A espécie é protegida por lei, que proíbe seu corte sem plano de manejo. Sua casca, folha e raiz são utilizadas para tratamento de inflamações de garganta, gengiva, pele, gastrites, úlcera, diarreia e outras enfermidades. No Brasil pode ser encontrada na CaatingaCerrado e Mata Atlântica.

A portaria MAPA 539 de 2022 permite o acondicionamento da aguardente de cana e da cachaça em contato com fragmentos de madeira, com o objetivo de conferir-lhes características sensoriais próprias da madeira utilizada.

Essa prática inteligente permite aos produtores de cachaça ampliarem seu mix de produtos sem cortar árvores, muitas vezes em risco de extinção, como é o caso da aroeira-preta.

A Cachaça Canela-de-Ema tem sua destilaria instalada na Fazenda Lagoa Seca, em Itumbiara, Goiás, onde a aroeira-preta floresce em abundância nas reservas da propriedade, em pleno cerrado goiano, às margens do Rio Paranaíba.

Nada mais óbvio do que utilizar esta prática do acondicionamento da nossa cachaça em contato com fragmentos (chips) da aroeira-preta ou mesmo de outras madeiras do cerrado, como a própria Canela-de-Ema, tão famosa por suas qualidades medicinais, assim como as da aroeira-preta e outras tantas.

Já encontrada em nossa loja, o lançamento da cachaça Canela-de-Ema envelhecida no carvalho e acondicionada com aroeira-preta do cerrado.

Cor da Cachaça:  Cor âmbar com tons alaranjados até o vermelho

Aroma e sabor da cachaça: Aromas adocicados como melaço, frutados que lembra laranja e um sútil fermentado.

Algumas cachaças, mesmo tendo sido reservadas na madeira, também podem ser incolores, em decorrência de filtragem ou número de filtragens.

As cachaças que passam por barris de jequitibá-branco, freijó e amendoim transferem pouca ou nenhuma coloração para a cachaça, mesmo em barris de 200 L, 250 L e 700 L por 1 ano, continuam incolores.

O jatobá, assim como a grápia, são madeiras com maior potencial de coloração quando usadas para envelhecimento de cachaça, no entanto, no mercado, encontramos disponíveis versões com coloração menos intensa.

No caso das cachaças armazenadas em barris exauridos e de grande volume de jequitibá-rosa, carvalho ou até mesmo amburana, elas podem ser incolores ou aportar pouca coloração.

Dimensão, idade do barril e tempo de envelhecimento podem influenciar a cor: quanto menor e mais novo, mais intensa é a cor. Barris maiores precisam de um tempo de envelhecimento mais longo para contribuir efetivamente com a coloração da bebida.

A tosta interna do barril é um procedimento comum nas maiores tanoarias do mundo, que utilizam o carvalho para fabricar barris destinados ao envelhecimento de fermentados e destilados. A prática tem o objetivo de degradar compostos indesejáveis da madeira e gerar moléculas aromáticas que agregam qualidade às bebidas, além de “rejuvenescer” barris exauridos após muitos anos de uso.

Ainda é pouco comum no envelhecimento de cachaças, mas alguns mestres de adega estão promovendo a queima em barris de madeiras nacionais a fim de obter novos aromas e sabores.

Algumas observações para você se atentar enquanto estiver degustando sua cachaça:

  • A cor da cachaça na garrafa pode ser diferente daquela na taça. O maior volume de líquido na garrafa diminui a passagem da luz e oferece a falsa sensação de cor mais intensa.
  • Alguns produtores adicionam caramelo, com dosagem prevista em lei, para atribuir a coloração amarelada e padronizar a cor da bebida. O caramelo também contribui artificialmente para o dulçor da bebida. Fique atento, cachaças que se dizem com pouco tempo no barril mas com cor intensa provavelmente tiveram caramelo adicionado.
  • Desconfie de cachaças que se dizem envelhecidas (geralmente rotuladas como Premium ou Extra Premium) com preços baixos e cores pouco intensas. Ao passar pelo processo apropriado de envelhecimento, a cachaça ganha complexidade sensorial, mas também fica mais cara. O envelhecimento em madeira pode representar mais de 50% do custo de produção da bebida.
  • A prática do envelhecimento acelerado, com serragem ou similares adicionados em infusão na cachaça, pode trazer cor ao destilado rapidamente. No entanto, a bebida vai carecer de outras propriedades sensoriais típicas do envelhecimento natural. Elas terão cor intensa, mas serão menos complexas em aroma e sabor.
  • Cor intensa também pode significar sabores muito intensos. Madeiras com alto potencial de coloração devem ser usadas com cuidado (amburana, bálsamo, jatobá, grápia), já que uma cor bonita pode resultar em um sabor intragável.

Não deixe de assistir ao vídeo de uma aulinha de Milton Lima da @cachças.com sobre madeiras, aromas e sabores. Basta seguir o link. Milton Lima, que se autodenomina um ativista da cachaça, afirma que a cachaça é “a personificação do brasileiro numa bebida” e ainda que a cachaça nossa de cada dia é o destilado mais incrível do mundo.

As possibilidades que ela pode trazer são enormes. Tem uma diversidade tão grande, tanta história: há cachaça que é enterrada, cachaça envelhecida em tonéis gigantes… Existem quatro mil cachaças. E pode conectar as pessoas, contar a história de uma região, de uma família, de uma cidade, de uma cultura, de um processo. O mais legal é justamente a diversidade.”

Adão V. de Faria, Felipe G. J. de Faria e Eduardo F. Junqueira


Empório Cachaça Canela-de-ema

Loja virtual, e-commerce, da empresa Agronegócios Fazenda Lagoa Seca do Brasil LTDA que comercializa, no atacado e varejo, cachaça artesanal, orgânica e produtos afins. Todos os produtos são devidamente escolhidos com base nos melhores resultados dos testes de qualidade conforme critérios do MAPA.

22 comentários

Nivaldo Costa · 22/07/2020 às 19:49

Boa noite, gostei da matéria, comecei a coleção de cachaça há alguns anos, tenho uma reserva em carvalho francês de 200 litros e vou mantendo-o sempre cheio. Parte dela foi alanbicada em 1987 e de lá pra cá venho separando e engarrafando para deixar envelhecerem em vidro. É uma terapia.

ROGÉRIO cruz · 25/01/2021 às 15:10

Boa tarde, é bom encontrar matérias nessa qualidade, conteúdo rico em informações. Muitas vezes temos as madeiras do lado de casa, mas conhecemos por outros nomes.

Helio Mendes · 15/08/2021 às 12:51

Gostei muito da matéria , colhi algumas informações para minha pesquisa .

Gilberto Da silva · 02/10/2021 às 18:21

Eu faço barril de 3 5 10 15 litros de cabriuva grapia Carvalho brasileiro e europeu loro jatoba jequitiba castanha ipê guajuvira itauba teca canafrista moro em Pato Branco Paraná

DARCY BRANCO · 22/11/2021 às 22:45

Parabéns! Matéria excelente! Gostei muito das informações.

Gilmar Cesário da Silva · 27/07/2022 às 13:19

Eu procuro um barril de Carvalho pequeno, no máximo 3 litros, para curtir cachaça para consumo próprio. Tenho visto inúmeros sites oferecendo o produto mas não confio que estejam vendendo carvalho de verdade. De preferência o Americano ou Europeu. Eu preciso de alguém que tenha o barril ou que saiba onde eu possa comprar com segurança de que vou estar comprando um barril de carvalho legítimo e não outra madeira qualquer. Se alguém quiser ou puder me orientar nessa parte, serei grato desde já. Meu email é: gilcesarsilva@hotmail.com

Empório Cachaça Canela-de-ema · 24/05/2021 às 17:28

Parece muito bom!!! Obrigado por seu comentário.

Caipirinha Cachaça+Limão+Açúcar+Prosa | Blog Cachaça Canela-de-ema · 02/04/2021 às 12:40

[…] Demerara (açúcar mascavo orgânico refinado), 30 ml de licor de amêndoas, 60 ml de cachaça envelhecida em umburana. Coloque o limão e o açúcar em um copo baixo e amasse mais um pouco. Encha o copo com gelo e […]

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